Mantega: governo vai agir contra dólar na inflação

Ministro diz que o governo tem instrumentos para evitar o contágio da alta da moeda americana nos preços e sinalizou que o governo pode usar suas reservas. “Não há nenhum temor de que possa haver um problema maior. A situação está sob controle. Nós temos US$ 370 bilhões de reservas para sustentar algum problema maior”, disse ele. Mantega também afirmou que o governo pode vir a baixar tarifas de importação; nesta segunda, o dólar fechou a R$ 2,41

Ministro diz que o governo tem instrumentos para evitar o contágio da alta da moeda americana nos preços e sinalizou que o governo pode usar suas reservas. “Não há nenhum temor de que possa haver um problema maior. A situação está sob controle. Nós temos US$ 370 bilhões de reservas para sustentar algum problema maior”, disse ele. Mantega também afirmou que o governo pode vir a baixar tarifas de importação; nesta segunda, o dólar fechou a R$ 2,41
Ministro diz que o governo tem instrumentos para evitar o contágio da alta da moeda americana nos preços e sinalizou que o governo pode usar suas reservas. “Não há nenhum temor de que possa haver um problema maior. A situação está sob controle. Nós temos US$ 370 bilhões de reservas para sustentar algum problema maior”, disse ele. Mantega também afirmou que o governo pode vir a baixar tarifas de importação; nesta segunda, o dólar fechou a R$ 2,41 (Foto: Leonardo Attuch)
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Daniel Mello *
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje (19) que o governo poderá atuar para impedir que a alta do dólar tenha impacto na inflação. “Nós temos alguns antídotos, que são a redução das tarifas de alguns insumos, aquelas tarifas que subiram na lista de setembro do ano passado”, disse o ministro.

Mantega admitiu que a valorização da moeda norte-americana poderá pressionar os preços no mercado interno, entretanto, segundo ele, esse efeito ainda não foi percebido. “Nós não sabemos onde isso vai parar [a subida do dólar]. Alguma influência deverá ter, mas ainda não teve”. Apesar dos efeitos imprevisíveis, Mantega garantiu que a situação está controlada. “Não há nenhum temor de que possa haver um problema maior. A situação está sob controle. Nós temos US$ 370 bilhões de reservas para sustentar algum problema maior”.

Hoje o dólar fechou em R$ 2,4159, com alta de 0,83%, e atingiu a maior cotação desde 3 de março de 2009, quando a moeda foi vendida a R$ 2,441. Desde o fim de maio, o mercado financeiro global enfrenta turbulências devido à perspectiva de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, reduza os estímulos monetários para a maior economia do planeta. O Fed poderá aumentar os juros e diminuir as injeções de dólares na economia global caso o emprego e a produção nos Estados Unidos mantenham o ritmo de crescimento e afastem os sinais da crise econômica iniciada há cinco anos.

A instabilidade piorou depois de Ben Bernanke, presidente do Fed, ter declarado, em 19 de junho, que a instituição pode diminuir a compra de ativos até o fim do ano caso a economia americana continue a se recuperar. Se a ajuda diminuir, o volume de dólares em circulação cai, aumentando o preço da moeda em todo o mundo.

Nos últimos meses, o governo brasileiro tem adotado medidas para conter a valorização do dólar. Além de vender a moeda no mercado futuro, o Banco Central retirou parte do compulsório sobre as apostas de que o dólar vai cair e eliminou restrições de prazos para que os exportadores financiem antecipações de pagamentos.

A equipe econômica também retirou barreiras à entrada de capitais estrangeiros no país. O Ministério da Fazenda zerou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para os estrangeiros que aplicam em renda fixa no Brasil. Desde outubro de 2010, a alíquota em vigor era 6%. A venda de moeda estrangeira no mercado futuro também ficou isenta de IOF.

Abaixo, o noticiário da Reuters sobre a alta da moeda americana:

Dólar tem 6ª alta e encosta em R$2,42, apesar de forte ação do BC

segunda-feira, 19 de agosto de 2013 18:40 BRT

Por Bruno Federowski e Tiago Pariz

SÃO PAULO, 19 Ago (Reuters) - Apesar da forte atuação do Banco Central, o dólar teve a sexta alta consecutiva ante o real nesta segunda-feira, avançando quase 1 por cento e encostando em 2,42 reais, influenciado pelos movimentos no exterior e pela persistente desconfiança de investidores com a economia brasileira.

O BC fez neste pregão atuações como há muito tempo não se via: foram três leilões de swap cambial tradicional --equivalentes a venda futura de dólares-- e dois anúncios de leilão, um de linha e outro de swap tradicional, para serem realizados na terça-feira.

Após o encerramento dos negócios, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, divulgou nota afirmando que quem apostar em "movimentos unideracionais da moeda" pode ter de arcar com perdas, ao mesmo tempo em que reafirmou que a autoridade monetária continuará ofertando proteção e, se necessário, dar liquidez aos mercados.

O dólar avançou 0,83 por cento, para 2,4159 reais na venda, reforçando o maior o patamar em mais de quatro anos. Na máxima do dia, a divisa norte-americana chegou a subir 1,37 por cento, cotada a 2,4288 reais.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,7 bilhão de dólares. Nestas seis sessões, o dólar já acumula valorização de 6,24 por cento.

"O próximo nível de resistência está em 2,50 reais. A alta deve-se ao ceticismo dos investidores com os nossos fundamentos... Fora do Brasil estão aparecendo oportunidades melhores, com Europa começando a caminhar e os Estados Unidos ganhando inércia. O dinheiro vai onde tem melhores rendimentos", afirmou o gerente de análise da XP Investimentos, Caio Sasaki.

Boa parte do mercado acredita que o BC quer derrubar as cotações do dólar, uma vez que a valorização da divisa dos Estados Unidos tende a pressionar os preços. Entretanto, fonte do governo próxima à equipe econômica disse à Reuters nesta segunda-feira que o baixo crescimento da economia limita o impacto inflacionário da alta do dólar.

O dólar abriu em forte alta este pregão, praticamente ignorando o fato de o BC ter anunciado na noite de sexta-feira a rolagem de 20 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda de dólares no mercado futuro.

A autoridade monetária acabou vendendo o lote todo, com volume financeiro equivalente a 986,1 milhões de dólares e, assim, já rolou 40 mil contratos dos 100,8 mil que vencem no início de setembro.

Mas, antes de realizar este leilão, o BC anunciou outra venda de swap cambial tradicional --desta vez não para rolagem. Vendeu, então, o lote integral de 40 mil contratos com vencimentos em 1º de novembro deste ano e 1º de abril de 2014. Como consequência, a moeda anulou a alta após o resultado e passou a cair, batendo na mínima de 2,3851 reais.

No terceiro leilão, realizado durante a tarde, a autoridade monetária vendeu 10,05 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 1º de novembro de 2013 e 2,5 mil contratos com vencimento em 1º de abril de 2014, com volume financeiro equivalente a 627,9 milhões de dólares. A oferta total era de até 40 mil contratos e também não foi para rolagem.

Pouco após o anúncio do terceiro leilão, a autoridade monetária divulgou que ofertará, na terça-feira, até 4 bilhões de dólares no mercado à vista com compromisso de recompra. O BC não fazia uso desse instrumento desde 20 de junho deste ano.

Por fim, após o encerramento dos negócios, o BC informou que fará também na terça-feira novo leilão de swap cambial tradicional para rolagem dos papeis que vencem no início de setembro. Serão ofertados 20 mil contratos com vencimento de 1º de abril de 2014.

"Eu acho que amanhã vai ser um massacre, vão jogar a taxa de câmbio para baixo", disse o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros, ressaltando que o leilão de linha anunciado pelo BC deve retirar, pelo menos no curto prazo, parte da pressão de fortalecimento do dólar.

Analistas têm afirmado que os cada vez mais comuns leilões de swap cambial perderam sua capacidade de conter o fortalecimento do dólar diante das incertezas com os quadros econômicos doméstico e global. Segundo eles, o BC só será capaz de ancorar as cotações da divisa se vender dólares no mercado à vista.

Na semana passada, a divisa norte-americana avançou mais de 5 por cento ante o real. Apenas na sexta-feira, a alta foi de 2,46 por cento, devido ao mau humor de investidores com a política econômica brasileira e após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter dito que o câmbio mais desvalorizado beneficia a indústria brasileira.

"O mercado está um pouco delicado e o dólar subiu além da conta, está muito alto e é lógico que tem especulação", afirmou o superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca.

A alta do dólar ante o real tem sido muito mais forte do que em relação a outras moedas. Na semana passada, o dólar subiu 2,3 por cento ante o peso mexicano e ganhou 0,1 por cento em relação ao dólar australiano e ao euro.

No mercado internacional, prevalece a expectativa sobre a redução da política de estímulos feita pelo Federal Reserve, banco central norte-americano, que injeta atualmente 85 bilhões de dólares ao mês nos mercados.

Com os sinais de recuperação da maior economia do mundo, o Fed --que divulga na quarta-feira a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês)-- também já indicou que deve começar a retirar esses estímulos, o que vai reduzir a liquidez mundial.

O cenário trazido com o Fed abalou as moedas de vários países e pesquisa da Reuters sugere que o real e o dólar australiano, que se beneficiaram em grande parte da última década do aumento dos preços de commodities, permanecerão voláteis diante de um novo cenário de política monetária nos Estados Unidos.

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