MDIC prega mais acordos bilaterais e revisão do Mercosul

 “O Mercosul é casamento indissolúvel, mas não significa que não podemos discutir a relação”, disse o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro Neto; “Não há nada no mundo que se cristalize a ponto de não podermos fazer ajustes e ter maior grau de liberdade para o Brasil ir na direção de outros acordos”, explicou

O ministro Armando Monteiro Neto participa de  audiência pública conjunta das comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; e de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O ministro Armando Monteiro Neto participa de audiência pública conjunta das comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; e de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Marcelo Camargo/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Attuch)
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Carolina Gonçalves - Repórter da Agência Brasil 

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, defendeu hoje (6) revisão das relações com o Mercosul para que o Brasil busque mais liberdade em negociações comerciais com outros países. “O Mercosul é casamento indissolúvel, mas não significa que não podemos discutir a relação”, brincou, ao falar sobre a competitividade da indústria brasileira com deputados das comissões de Desenvolvimento Econômico e das Relações Exteriores da Câmara.

“'Não há nada no mundo que se cristalize a ponto de não podermos fazer ajustes e ter maior grau de liberdade para o Brasil ir na direção de outros acordos”, explicou. Ao citar as negociações que se arrastam ao longo dos últimos anos para um acordo entre o Mercosul e a União Europeia, Armando Monteiro defendeu uma análise sobre a disposição de cada economia (do Mercosul) para fazer um acordo no tempo mais curto possível.

O ministro chegou a propor, durante a audiência pública, a possibilidade do acordo avançar com um calendário diferenciado. “O Brasil tem interesse em dar um sinal claro, sobretudo à Argentina, que tem mais urgência. Se a Argentina tiver um tempo diferente temos que encontrar mecanismos para fazer o processo, respeitando a posição do bloco mas garantindo tempos distintos para outros país”, defendeu.

Líderes dos dois blocos vêm negociando o acordo há mais de dez anos. Nas primeiras fases, a dificuldade foi harmonizar, dentro dos blocos, as ofertas feitas ao Mercosul. “Conseguimos harmonizar, cobrindo um universo tarifário superior a 80%, mas ainda temos ajustes a promover”, explicou o ministro.

Monteiro afirmou que o país precisa buscar a ampliação de acordos bilaterais, mas garantiu que essa estratégia não significa que o país “deprecie” as esferas multilaterais. Ele explicou que alguns temas, como a discussão em torno de subsídios agrícolas, precisam ser tratados em fóruns ampliados como a Organização Mundial do Comércio (OMC).

O ministro mencionou prioridades do país para um “novo ciclo de crescimento”, citando a necessidade de avanços em investimentos, produtividade e exportação. Monteiro afirmou que o plano traçado para a ampliação de transações comerciais com outros países se baseia  no financiamento às exportações, na promoção comercial da indústria nacional e no aperfeiçoamento de regimes tributários. Otimista, disse que, no Brasil, “os pessimistas estão sempre condenados a perder”. Segundo ele, a trajetória do país “é exemplo de que sempre conseguimos superar as adversidades”.

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