Meirelles admite seu próprio fracasso e prevê recessão demorada

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reafirmou aquilo que analistas, economistas e até o próprio governo já sabem: a recessão ainda é profunda e a economia tem se recuperado bem mais lentamente do que se esperava; ao participar de um seminário, Meirelles admitiu que "a retomada é mais devagar" e atribui a culpa às medidas do governo de Dilma Rousseff; "As medidas para enfrentar a crise só começaram a ser adotadas de fato a partir de maio deste ano"

Brasília - Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se reúne com o presidente do TST, Ives Gandra Martins Filho, para esclarecer questões sobre o ajuste fiscal, em debate no Congresso Nacional (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Brasília - Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se reúne com o presidente do TST, Ives Gandra Martins Filho, para esclarecer questões sobre o ajuste fiscal, em debate no Congresso Nacional (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Giuliana Miranda)

247 - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reafirmou aquilo que analistas, economistas e até o próprio governo já sabem: a recessão ainda é profunda e a economia tem se recuperado bem mais lentamente do que se esperava. Durante o seminário "Infraestrutura e Desenvolvimento no Brasil", Meirelles admitiu que "a retomada é mais devagar". Ele atribuiu essa característica do atual processo à duração da recessão econômica e à demora que houve até o governo federal mudar a sua trajetória de atuação. "As medidas para enfrentar a crise só começaram a ser adotadas de fato a partir de maio deste ano", segundo reportagem Estado de S.Paulo. 

Contrariando todos os indicadores e evidências, no entanto, Meirelles se disse otimista com os rumos da economia. Para ele, "o país já está em trajetória de recuperação" e haverá crescimento em 2017, embora não seja "exuberante". Mas a partir de 2018 o crescimento será mais alentado e sustentável, com o país tendo todas as condições de crescer 3% ao ano.

Meirelles defendeu ainda a PEC 241. "Pela primeira vez, em várias décadas, o Brasil está enfrentando o problema que mais leva à desconfiança e às crises", afirmou. Com esse processo, o ministro lembrou que será dado "maior papel ao setor privado".

Ao mostrar que o limite para o gasto vai reduzir o desperdício e ajudar a definir com maior clareza as prioridades públicas, Meirelles chegou a cunhar a expressão "dessobrecarregar" o governo para mostrar o que vai acontecer depois da aprovação da PEC do teto, o que significará uma diminuição do tamanho do Estado brasileiro. Com isso, lembrou Meirelles, o setor privado terá maior participação no financiamento do desenvolvimento e na resolução dos graves problemas de infraestrutura do país, com redução dos custos de logística.

Com o reequilíbrio das contas públicas, Meirelles disse que haverá uma redução estrutural da taxa de juros no Brasil. O controle da trajetória da despesa será importante também, segundo o ministro, para "suavizar" e "alongar" os ciclos econômicos que, no Brasil, segundo ele, "são muito frequentes e fortes". O ministro da Fazenda anunciou também que está particularmente empenhado em um agenda que melhore a produtividade da economia brasileira."

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