Mendonça de Barros: mercado e BC erraram em projeções e manter juros em 2% é "insustentável'

Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro do governo FHC, afirma que o BC caiu em uma “armadilha” com a decisão do Copom em manter a taxa básica de juros no patamar de 2% ao ano. "O Banco Central deveria reconhecer que errou e que o mercado errou também”, diz

Luiz Carlos Mendonça de Barros
Luiz Carlos Mendonça de Barros (Foto: Reprodução)
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247 - O economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro do  governo Fernando Henrique Cardoso, afirma que o Banco Central caiu em uma “armadilha” com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em manter a taxa básica de juros no patamar de 2% ao ano. “Estamos com 2% ao ano de Selic, com perspectiva de manter isso para o ano que vem, enquanto a perspectiva de inflação para 2021 agora é bem mais alta. O Banco Central deveria reconhecer que errou e que o mercado errou também”, disse Mendonça em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo

“Há uma armadilha muito grave para o Copom. O Banco Central acreditou nas previsões que o mercado fez, há quatro ou cinco meses, para a inflação deste ano e do ano que vem. O mercado errou, a expectativa era de 2% para este ano e, mesmo para o ano que vem, era baixa, entre 2% e 2,5%. O BC levou isso a ferro e fogo, sem criticar. E agora o mercado mudou a expectativa de inflação, para mais de 3% em 2021, sem pedir desculpas ao BC. Agora, eles estão com uma batata quente nas mãos. Isso é um problema: o protocolo do sistema de metas de inflação usa a inflação do mercado”,  ressaltou. 

Ainda segundo ele, “é insustentável ter os juros a 2%, mas não se sabe como o BC vai sair dessa arapuca. Não adianta aumentar 0,15 ponto porcentual, ele vai ter de dizer no “forward guidance” (prescrição futura) que errou tanto a intensidade da recuperação quanto a inflação futura. A lição é que todo protocolo para ação macroeconômica do governo precisa ter uma base analítica correta. Mais do que isso, se errou, corrige. Já deveria ter corrigido. Vão jogar a culpa na questão do déficit público, mas isso não tem nada a ver”.

 

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