Mercadante: “Bolsonaro perdeu a oportunidade de recuperar a economia”

"Nós vamos ter uma estagnação econômica esse ano", alertou o ex-ministro à TV 247, que tratou também como "inconsistente" a previsão de crescimento do PIB neste ano pelo governo Bolsonaro, que, apesar da queda, segundo ele continua otimista; "Nenhuma análise rigorosa, nenhum banco, nenhuma universidade está trabalhando com esse patamar", alertou; assista

Mercadante: “Bolsonaro perdeu a oportunidade de recuperar a economia”
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247 - O ex-ministro Aloizio Mercadante analisou o cenário econômico atual brasileiro em conversa com a TV 247. Ele avaliou a nova previsão do governo de aumento de 1,6% do PIB em 2019 e comentou sobre o desmonte da Petrobrás e da BR Distribuidora. Mercadante chamou a atenção para o emergente cenário de recessão econômica no país com uma possível taxa negativa de crescimento no primeiro trimestre deste ano.

"Eu acho que todos os indicadores e todas as avaliações apontam para a recessão econômica. Nesse primeiro trimestre nós tivemos uma queda da indústria em março de -6,1%, é muito grave, a indústria já vem sofrendo há muito tempo, nós tivemos um crescimento nos últimos 12 meses de comércio de 0,3% e continua o varejo patinando, quer dizer, as vendas não avançam, então o cenário é um cenário de recessão. Algumas previsões falam em uma taxa negativa do PIB no primeiro trimestre de -0,2% e outras -0,6%, então é por aí que nós vamos estar mas seguramente vai ser negativo. Com essa taxa negativa talvez haja revisão do último trimestre do ano anterior e pode também apresentar um crescimento negativo, então aí você já tem 6 meses e está dado, tecnicamente, o quadro de recessão", descreveu.

Sobre a revisão do governo na previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2019, de 2,2% para 1,6%, o ex-ministro avaliou, apesar da queda, ainda como inconsistente e apresentou outras previsões. "A revisão que o governo fez é completamente inconsistente, estão falando em um crescimento do PIB de 1,6% esse ano. Nenhuma análise rigorosa, nenhum banco, nenhuma universidade está trabalhando com esse patamar. A projeção, por exemplo, do Itaú é um PIB de 1%, do Bradesco é 1,1%, estou falando dos grandes bancos do país, na área acadêmica tem gente falando de crescimento abaixo de 1%. Por que eles mantiveram a previsão otimista? Para poder evitar o corte ainda mais drástico, as receitas estão caindo e isso determina uma projeção do desempenho das finanças fiscais, das finanças do Estado".

"Então é um quadro de recessão, nós vamos ter uma estagnação econômica esse ano, o governo Bolsonaro perdeu a oportunidade de recuperar a economia, nós vínhamos de uma recessão desde 2015 e uma taxa de crescimento muito baixa de 1,1% do PIB em 2017, 1,1% em 2018 e esse ano vamos manter esse patamar mínimo que se sustenta pela agricultura e pelas exportações. Não é verdade que o Brasil quebrou, o Brasil tem um superávit comercial elevado nas exportações e importações, tem reserva cambiais de US$ 378 bi, foi a herança do governo do PT que impede que esse país quebre e vá para o FMI, como está a Argentina e muitos outros países nesse cenário internacional", completou.

Para sair do quadro recessivo, Mercadante afirmou que o governo promove a venda do patrimônio brasileiro com o desmonte da Petrobrás e da BR Distribuidora. "O que pode amenizar a entrada do Brasil em uma grave recessão? Eles vão vender patrimônio, vão esquartejar a Petrobrás, que é uma empresa estratégica para o desenvolvimento do Brasil, estão falando em vender a BR Distribuidora, a Petrobrás vai perdendo competitividade, vai perdendo a hegemonia que ela tinha no mercado de gás e petróleo. Estão falando em uma cessão onerosa do pré-sal de US$ 106 bi ou US$ 107 bi em outubro, será o maior da história do petróleo, o pré-sal que eles diziam que não existia, o pré-sal que eles diziam que não tinha viabilidade econômica. Hoje é entregar uma parte importante do pré-sal, que eu acho, em uma conjuntura adversa, um movimento irresponsável, nós estamos perdendo patrimônio estratégico e perdemos também a vinculação da renda do petróleo com a Educação, que foi o grande legado do governo Dilma , o grande legado dos governos do PT, os royalties do petróleo, o fundo social do pré-sal para financiar a Educação e a saúde, que são áreas que estão vivendo um corte dramático".

O governo não tem um plano de retomada da economia e está submisso aos interesses financeiros, lembrou. "Com isso eles esperam amenizar a crise fiscal para fechar o ano e ter o ano que vem um pouquinho melhor. Eles não têm um projeto para recuperação econômica, não falam a palavra 'emprego', não há uma iniciativa para criar medidas emergenciais para 13 milhões de desempregados, 5 milhões de desalentados, 34 milhões de brasileiros trabalhando na economia informal e você não vê o governo com protagonismo de defender a economia popular, de buscar investimento, de impulsionar o crescimento, de criar soluções novas, estão esmagando as fontes públicas de crédito, o BNDES, querem fechar a Finep agora, eu fui ministro de Ciência Tecnologia e Inovação, é o grande agente financeiro da inovação tecnológica, que é o grande desafio da indústria brasileira, da economia brasileira, mais tecnologia, mais inovação, mais fomento às startups. Então é um governo que não tem um projeto de desenvolvimento, está basicamente submisso aos interesses financeiros, busca destruir os direitos previdenciários e eu acho que essa conjuntura econômica, vai ficando claro para os empresários, agentes econômicos,a cho que está aumentando essa percepção de que Bolsonaro é um problema, até para eles que achavam que ele seria o grande instrumento de tirar direitos e construir uma maioria capaz de impulsionar o capitalismo selvagem, sem direitos trabalhistas, previdenciários, sem proteção do mundo trabalho e do meio ambiente".

O ex-ministro também destacou que a economia mundial está desacelerado e, com isso, o Brasil tem um conjuntura externa adversa para seu crescimento. "Todas as projeções na economia internacional também são de desaceleração, o FMI, a OCDE, o Banco Mundial, todos falavam em um crescimento em torno de 3,9% do PIB, crescimento mundial, neste ano e estão falando agora de 3,3% a 2,9%. Então a economia está desacelerando, a China está desacelerando, Estados Unidos desacelerando, União Européia, e o Brasil vai ter um cenário externo adverso com agravantes, primeiro a completa irresponsabilidade, o desastre da política externa desse ministro que não tem a menor noção do que está fazendo em um governo que foi quebrando pontes e perdendo oportunidades. Eles criaram uma briga que não existia entre Israel e mundo árabe, uma indisposição desnecessária com os 22 países da Liga Árabe, que já estão retaliando comercialmente o Brasil, e atacaram a China, que é o principal motor das nossas exportações, o ano passado foram mais de US$ 60 bi de exportações para a China".

Ele também analisou o apoio popular de Bolsonaro em queda e a manifestação de cunho fascista e pró-Bolsonaro neste domingo (26). "Ele está desabando nas pesquisas de opinião pública, devem sair novas pesquisas proximamente mas o 'ruim/péssimo' já é maior que o 'ótimo/bom', em um governo que tem 5 meses isso é dramático, e a base social, ele está tentando se agarrar naquele núcleo duro da extrema-direita ideológica, desses movimentos olavistas, essa coisa da milícia, das armas, mas é uma coisa muito pequena para governar o Brasil. É com isso que ele está tentando ir para a rua, mas os mesmo setores da extrema-direita estão com os pés no freio em relação a esse movimento, você vê lideranças parlamentares, empresariais, generais na base do governo Bolsonaro dizendo que isso é uma irresponsabilidade, que isso vai agravar a crise".

Inscreva-se na TV 247 e assista à entrevista na íntegra:

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