Mercadante: com coronavírus, erros da política externa de Bolsonaro serão muito caros à economia

“Além do coronavírus, temos um cenário financeiro que já era delicado, expectativas deterioradas e algumas medidas que vão prejudicar o comércio externo, como, por exemplo, a medida que o Brasil tomou em relação ao Irã. Todos os erros da política externa vão ser muito caros nesse momento”, avaliou o ex-ministro na TV 247. Assista

Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo e Aloizio Mercadante
Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo e Aloizio Mercadante

247 - O ex-ministro Aloizio Mercadante fez uma análise na TV 247 acerca da situação econômica internacional. Ele falou dos impactos do coronavírus no Brasil e das consequências dos erros da política externa do governo de Jair Bolsonaro e do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Mercadante disse que a desaceleração da China em sua produção por conta do coronavírus causou pânico no mercado, já que o país é atualmente “o grande motor da economia mundial”. Ele também explicou outros fatores anteriores ao coronavírus que já vinham enfraquecendo o quadro econômico mundo afora. “A estimativa hoje é que nesse primeiro trimestre nós possamos ter uma perda na ordem de US$ 280 bilhões na economia mundial, a China apertou o botão ‘desliga’. É um país que tem 26 mil quilômetros de trem bala, a velocidade com que essa pandemia se desenvolve é muito forte, ela se transmite antes dos sintomas se manifestarem então é uma coisa preocupante. O índice de letalidade é relativamente baixo mas gerou uma insegurança, um pânico, e é o grande motor da economia mundial. O primeiro elemento é esse, tem esse impacto e a Europa já vinha em um quadro de recessão, o Japão em uma situação muito difícil, a China vinha desacelerando e os Estados Unidos mantendo uma ofensiva para tentar chegar até a eleição”.

Diante da crise, o ex-ministro alertou para os erros diplomáticos cometidos por Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo e equipe. Segundo Mercadante, as trapalhadas do governo custarão caro ao Brasil em meio ao conflito econômico mundial. “Além do coronavírus, temos um cenário que já era delicado, um cenário financeiro que já era delicado, expectativas deterioradas e algumas medidas que vão prejudicar o comércio externo, como, por exemplo, a medida que o Brasil tomou em relação ao Irã, com quem tínhamos um superávit comercial de US$ 2 bilhões. Todos os erros da política externa vão ser muito caros nesse momento”.

Além do apoio dado aos Estados Unidos pelo Brasil em relação ao assassinato do general Qasem Soleimani, Mercadante lembrou outros erros cometidos na política externa brasileira em 2019: “a proposta descabida de levar a embaixada do Brasil para Israel e criar um conflito com todo o mundo árabe, que é um parceiro econômico estratégico do Brasil, o nosso distanciamento da China e dos BRICS, inclusive agressões verbais contra a China que nós fomos tendo ao longo da campanha, e essa submissão aos Estados Unidos que acabou esvaziando os BRICS”.

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