Míriam Leitão critica ataques de Paulo Guedes à China

Em sua coluna no Globo, a jornalista Míriam Leitão critica a posição do ministro da Economia, Paulo Guedes, contrária à China, ao comentar que por razões ideológicas a opção do Brasil poderá ser favorável aos Estados Unidos no conflito em torno da tecnologia do 5G

Paulo Guedes, ministro da Economia
Paulo Guedes, ministro da Economia (Foto: Marcos Corrêa/PR)
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247 - “O ministro Paulo Guedes deu uma indicação de que o Brasil pode vir a desfavorecer a empresa chinesa na guerra do 5G. Na visão de autoridades políticas, o país cometerá um grande erro se entrar por razões ideológicas no conflito entre Estados Unidos e China por essa nova tecnologia”, comenta a jornalista Míriam Leitão. 

A colunista do Globo se refere a uma entrevista do ministro da Economia à CNN, na qual Guedes disse que desde a pandemia surgiu uma “suspeição geopolítica” em relação à China por causa do Covid-19. 

Míriam Leitão destaca uma perigosa ilação de Guedes: “Se os serviços de segurança, se o serviço de comunicação todo fosse interrompido, porque teve uma crise na China e eles desligarem lá uns botões?”

"Esse delicado assunto tem sido acompanhado com lupa, até pelo motivo que o próprio ministro disse, nessa mesma entrevista concedida à CNN Brasil", escreve Míriam Leitão, que cita Paulo Guedes: o “5G é a nova fronteira da revolução digital e nós precisamos estar atuais”. 

A jornalista lembra que "as acusações feitas à China na pandemia são parte da campanha americana. O presidente Donald Trump, da forma irresponsável de sempre, tem feito acusações aos chineses nesta pandemia sem comprovação, e o Brasil nada ganha se abraçar essa versão dos fatos. Os desmiolados do bolsonarismo dizem isso, como fez o deputado Eduardo Bolsonaro, mas o ministro da Economia não deveria abraçar essa versão conspiratória. Segundo, hoje, as empresas que estão no Brasil e oferecem serviços de 4G usam tecnologia chinesa".

"O problema é a maneira descuidada como se trata a relação com a China no governo Bolsonaro. O presidente, na campanha e logo após a posse, fez declarações infelizes. Já teve o então ministro da Educação fazendo tuítes racistas, o deputado Eduardo Bolsonaro fazendo acusações sem comprovação. Quando o embaixador chinês protestou, foi novamente criticado, desta vez pelo ministro das Relações Exteriores, que, em qualquer país do mundo, é aquele funcionário que apaga incêndios diplomáticos em vez de ateá-los. Na visão de Paulo Guedes, o Brasil não foi tão atingido pelo choque externo porque não é aberto ao mundo. Na verdade, foi porque a China aumentou suas compras de soja e de proteína animal. A declaração de Paulo Guedes põe mais lenha na fogueira".

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