“Neoliberalismo não começou com Bolsonaro”, diz Breno Altman

O jornalista criticou a omissão da perseguição contra o PT nos últimos anos na “conclamação à nação” feita pelo PCdoB durante Congresso. O documento falha ao enxergar Bolsonaro como o principal causador da crise atual, avaliou ele. Assista na TV 247

Jair Bolsonaro, Paulo Guedes e Breno Altman
Jair Bolsonaro, Paulo Guedes e Breno Altman (Foto: ABr | Felipe L. Gonçalves/Brasil247)
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247 - O jornalista Breno Altman, em entrevista à TV 247, criticou a resolução do 15º Congresso do PCdoB (Partido Comunista do Brasil). Em conclamação à nação, a presidente nacional da sigla, Luciana Santos, defendeu a intensificação da militância contra o governo Jair Bolsonaro, a extrema direita e as múltiplas crises vividas no país.

Contudo, o texto omite o golpe de 2016 e os abusos judiciais cometidos contra o ex-presidente Lula, avaliou Altman. “Essa ‘Conclamação à nação’ não me chamou a atenção pelo que ela fala, mas pelo que ela não diz. É uma conclamação que não fala do golpe de 2016, que não fala do governo Temer, que não fala da prisão de Lula e da anulação de suas sentenças. Ou seja, é uma conclamação que passa por cima dos fatores constitutivos da situação política que o país vive hoje. Não estou dizendo que essa conclamação deveria, por algum motivo, apoiar o Lula para presidente, nada disso. Estou apenas me referindo que, na análise do PCdoB neste documento de conclamação, desaparecem os fatores constitutivos da cena política de hoje”, afirmou. 

Segundo o jornalista, é necessário entender que a crise atual não foi gerada somente por Bolsonaro, e sim pelo neoliberalismo, que articulou a Lava Jato e a consequente deterioração econômica. “Como se o problema que nós estivéssemos vivendo tivesse origem só com o Bolsonaro, como se as políticas neoliberais tivessem sido aplicadas apenas depois de 2019, como se não houvesse comprometimento das forças da direita tradicional com o golpe de Estado de 2016 e com a ruptura da ordem constitucional, como se PSDB, MDB, DEM etc. não estivessem vinculados ao neoliberalismo. Desapareceu da ‘Conclamação à nação’, como se essas forças políticas da direita tradicional não tivessem alimentado a Lava Jato. Não foi o Bolsonaro que alimentou a Lava Jato. O Bolsonaro se beneficiou da Lava Jato”, disse.

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Fusão com o PPL

Altman atribuiu a omissão do PCdoB à fusão com o PPL (Partido Pátria Livre), aprovada em maio de 2019. A fusão fez o primeiro superar a cláusula de barreira nas eleições de 2018. Ele lembrou que o PPL defendeu o golpe contra Dilma Rousseff, a prisão de Lula e muitas das ações da Lava Jato, e, agora, pode estar influenciando o PCdoB a integrar o centro político. “Talvez por uma questão de conciliação interna, de não ofender os egressos do PPL, tenha saído essa ‘Conclamação à Nação’, que passa por cima desses fatos”, disse.

“A impressão que me causa é que se movem dentro do PCdoB ainda forças que não querem aliança com o PT e que, portanto, tem como objetivo emitir posições que auxiliem algum outro tipo de composição, eventualmente ao redor do Ciro [Gomes], como uma frente mais ampla que englobe a centro-direita. A Conclamação não fala claramente em construir uma alternativa de esquerda para 2022, fala em algo muito mais amplo do que isso”, completou.

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