No BC, 'gênios' fizeram desemprego e IPC explodirem

Ex-diretores do Banco Central, Ilan Goldfjan (2000-2003), do Itaú Unibanco, e Alexandre Schwartzman (2003-2006), ex-Santander, conviveram em seus cargos no governo com taxas altas de inflação e, também, de desocupação de mão de obra; não houve relação entre aumento do desemprego e queda de preços; ao contrário; em 2005, quando a inflação baixou o mercado de trabalho cresceu; agora, porém, eles defendem o prejuízo máximo para grandes contingentes da população brasileira; erro de análise ou crueldade?; Delfim Netto ironizou: "Gênios"

No BC, 'gênios' fizeram desemprego e IPC explodirem
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247 – Arautos de desemprego como forma de combater a inflação, os economistas Ilan Goldfajn e Alexandre Schwartzman passaram pelo Banco Central em períodos de alta desocupação de mão de obra associada a índices de preços igualmente elevados, com fortes estouros nas metas propostas pela autoridade monetária. Pelos números daqueles períodos, o discurso de agora, francamente prejudicial a grandes contigentes da população, simplesmente não se sustenta nos fatos.

Diretor de Política Econômica do BC entre os anos 2000 e 2003, Goldfajn, atual economista-chefe e sócio do banco Itaú Unibanco, viu a taxa desemprego chegar ao pico de 12,3% em 2003 – a maior, hoje, dos últimos 15 anos. No entanto, segundo dados oficiais do Banco Central, a inflação medida pelo próprio BC em janeiro de 2004, com base nos doze meses anteriores (portanto, o ano de 2003), foi de 9,38%, nada menos que 3,25% acima da meta estipulada em 6,5%. Houve, assim, um grande estouro da meta de inflação, apesar do recorde de desemprego. Goldfajn tem defendido em artigos publicados no jornal O Estado de S. Paulo que o "desaquecimento" do mercado de trabalho é o melhor remédio para evitar a escapada da inflação da meta atual do BC.

Schwartzman esteve no BC entre 2003 e 2006. Nas apurações sobre o ano de 2005, o que se vê é um desemprego de 9,8%, o segundo mais alto, hoje, dos últimos quinze anos, mas inferior ao de 2004. A inflação, no entanto, igualmente foi menor do que a do ano anterior, atingindo 7,6%, acima da meta estipulada em 3,75% pelo BC. Assim, apesar de fora do centro da meta, a inflação foi menor do que a do ano antecedente, mas o desemprego também caíra. Não houve a propalada, por Schwartzman, relação entre retrocesso no mercado de trabalho e abatimento da inflação, o que ele defende com palavras duras: "Tem de demitir mesmo" (leia mais).

Escudados em interpretações bastante pessoais da teoria econômica, Goldfajn e Schwartzman, se olharem para o período de suas gestões nas diretorias do BC, talvez revejam seus atuais pontos de vista. Uma questão de coerência com os fatos econômicos. O ex-ministro Delfim Neto, considerado o melhor comentarista econômico do País, ironizou a dupla: "Esses gênios".

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