Novo ministro da Economia da Argentina defende o adiamento do pagamento da dívida

Martín Guzmán, ministro da fazenda do governo do presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, defende adiar - por dois anos - o pagamento dos juros da dívida soberana, por meio de um acordo com os credores, e ampliar os prazos para o principal

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Da RFI - O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, apresentou nesta sexta-feira (6) seu futuro gabinete, que tem um jovem acadêmico heterodoxo na Fazenda que defende o adiamento do pagamento da dívida. A equipe de Fernández, que tomará posse nesta terça-feira (10), na Casa Rosada, terá como chefe de Gabinete Santiago Cafiero, um cientista político de 40 anos, de viés peronista e neto do histórico líder Antonio Cafiero.

Após semanas de rumores, finalmente foi confirmado na Fazenda Martín Guzmán, 37 anos, que ocupará um posto-chave diante da urgência de honrar a dívida com o Fundo Monetário Internacional (44 bilhões de dólares recebidos desde 2018) e com os detentores de bônus, totalizando 315 bilhões.

Colaborador em Nova York do Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, o novo ministro da Fazenda defende adiar - por dois anos - o pagamento dos juros da dívida soberana, por meio de um acordo com os credores, e ampliar os prazos para o principal.

"É uma alegria que tenha aceitado deixar Nova York e voltado a Buenos Aires. Deposito uma enorme confiança nele. É um homem jovem muito preparado. Já trabalhamos juntos por várias semanas", disse Fernández ao apresentar o ministro nesta sexta-feira.

FMI

O FMI concedeu à Argentina um crédito de 57 bilhões de dólares a três anos, mas Fernández desistiu de receber a última parcela, em troca de que "deixem o país crescer" e sair da recessão.

Diretor de um programa sobre reestruturação da dívida e pesquisador da Universidade de Columbia, Guzmán também é professor de macroeconomia da Universidade de Buenos Aires.

O ministério da Produção foi entregue a Matías Kulfas, professor universitário de 47 anos e uma das referências econômicas de Fernández.

Com experiência em gestão, Kulfas concentrou seu trabalho em programas de apoio financeiro para pequenas e médias empresas.

O deputado peronista Felipe Solá, engenheiro agrônomo de longa trajetória política mas com pouca experiência na diplomacia, será o chanceler.

O ministério do Interior será entregue a Eduardo 'Wado' de Pedro, homem de confiança da ex-presidente Cristina Kirchner, agora vice de Fernández.

Filho de desaparecidos da ditadura (1976-1983) e com 43 anos, 'Wado" é um dos fundadores da La Cámpora, grupo liderado por Máximo Kirchner, filho de Cristina.

Além de devolver à categoria de ministério várias secretarias, Fernández criará novas pastas, como Mulheres, Gêneros e Diversidade, que ficará com a advogada de direitos humanos Elizabeth Gómez Alcorta, e Desenvolvimento Territorial e Habitat, com a arquiteta María Eugenia Bielsa.

Combate à fome

Entre as prioridades confirmadas por Fernández estão o combate à fome e à pobreza, que ficará a cargo do ministro de Desenvolvimento Social, Daniel Arroyo, 53 anos, de vasta experiência no tema.

Após anunciar que promoverá novamente no Congresso o debate sobre o aborto, Fernández nomeou o sanitarista Ginés González García para a Saúde, cargo que já ocupou durante o governo de Néstor Kirchner (2003-2007).

O presidente do clube San Lorenzo e ex-candidato a prefeito de Buenos Aires, Matías Lammens, ocupará o ministério do Turismo e Esporte; e o doutor em Bioquímica Roberto Salvarezza, ficará com Ciência e Tecnologia.

O ministério da Cultura será entregue ao cineasta e documentarista Tristán Bauer.

(Com informações da AFP)

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