‘O Estado deve assegurar a renda das pessoas’, afirma o economista Ricardo Carneiro

Professor da Unicamp discute o mercado de trabalho durante a crise do coronavírus, as medidas econômicas anunciadas pelo governo e propõe novas soluções para resolver o problema da reposição da renda. Assista na TV 247

Economista e professor da Unicamp Ricardo Carneiro
Economista e professor da Unicamp Ricardo Carneiro (Foto: Brasil247 | Agência Brasil)
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247 - O economista e professor da Unicamp Ricardo Carneiro concedeu entrevista à TV 247 sobre o mercado de trabalho e as medidas econômicas anunciadas pelo governo federal para repor a renda dos trabalhadores e a perda dos empresários. Segundo ele, a medida anunciada para os dois públicos a fim de tentar recuperar a economia é correta, mas insuficiente.

O economista argumenta que, na maior parte, o dinheiro disponibilizado pelo governo vem de um realojamento de recursos dentro do âmbito fiscal, e que, de recursos novos, apenas foram disponibilizados 2,9% do PIB, que é uma mixaria em relação ao que foi feito por outros governos no mundo.

O Estado deve assegurar a renda das pessoas

A primeira medida mais importante, ressalta, é assegurar a renda das pessoas pelo Estado. “O Estado deve assegurar a renda das pessoas, porque [durante a crise] elas perdem emprego, não estão trabalhando e porque as pessoas que não têm emprego formal deixaram de ter receita”, disse. Por isso, “alguém tem que entrar, substituindo o mecanismo de mercado, para dar a renda na mão das pessoas”.

Para ele, “há apenas um ente capaz disso, que é o Estado”. Carneiro argumenta que o poder administrativo do Estado é grande, primeiramente, pelo seu tamanho, que representa cerca de ⅓ da economia nacional; além disso, ele pode emitir dívidas a custo mais baixo que todos os outros agentes; e tem instrumentos de poder que nenhum agente privado tem.

Sobre a insuficiência das medidas do governo de Jair Bolsonaro, o professor diz que, apesar de a renda de R$ 600 mensais para informais ser um avanço, comparada à proposta anterior de apenas R$ 200, ela não cobre os custos reais de uma família brasileira. Ele defende um salário mínimo (cerca de R$ 1.000) para este setor, que é um dos principais afetados pela crise econômica. Ao contrário do que afirma a direita, o Estado não quebraria, pois em um plano de três meses para cerca de 30 milhões de brasileiros, se gastariam R$ 90 bilhões, o que não representa nem 1,5% do PIB.

O falso dilema: saúde x economia

Carneiro diz que o dilema “ou salva-se as pessoas, ou salva-se a economia” é falso. Que, na verdade, o que acontece é que Bolsonaro e os empresários “querem fazer o povo de bucha de canhão”, botando as pessoas para trabalhar mesmo sabendo que mais gente vai morrer sem isolamento social.

Para ele, isso é um “concepção fascista” e “darwinista social”, na qual “os mais fortes sobrevivem”. O economista afirma que em um país como o Brasil, que tem um certo grau de desenvolvimento econômico, é perfeitamente proteger a população tanto do ponto de vista sanitário, quanto economicamente, e que os dois funcionam juntos para impedir o aprofundamento da crise.

Ele também argumentou que o Covid-19 é mais difícil de combater que o desemprego. “Para o coronavírus não tem vacina, para o desemprego, sim”. No segundo caso, há uma espécie de “vacina social” que permite manter as pessoas empregadas e distribuir renda, através de um maior controle do Estado sobre a economia. “Basta ter correlação de forças, boa vontade e predisposição” para exercer essas medidas, afirmou.

Inscreva-se na TV 247 e assista à entrevista na íntegra:

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