O trem descarrilou

Empresa afirma que reduo de 98,5% no lucro culpa da menor atividade econmica no Pas, mas balano mostra aumento do endividamento

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247_A América Latina Logística (ALL) passou por um primeiro trimestre difícil. A companhia de transporte ferroviário contabilizou redução de 98,5% no lucro líquido em 12 meses. O resultado de 2011 foi de R$ 500 mil. Para a empresa, o pequeno lucro tem um vilão: as chuvas. O excesso de água em Paranaguá praticamente fechou o porto por uma semana no início da safra agrícola e a região do Mato Grosso adiou o início da colheita de fevereiro para março para fugir do aguaceiro. Além disso, a companhia lamenta a redução no transporte de aço e minério de ferro nos três primeiros meses do ano.

O curioso nessa explicação é que os números do balanço não batem com o discurso. A ALL registrou aumento de 4,1% no volume transportado para 8,6 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU). Nos dois principais segmentos, houve movimentação 5,3% maior dos produtos agrícolas para 5,9 bilhões de TKU e crescimento de 1,7% em produtos industriais para 2,7 bilhões de TKU. O market share somado da empresa em quatro portos (Santos, Paranaguá, São Francisco do Sul e Rio Grande) aumentou 1 ponto percentual para 70%.

Esmiuçando a justificativa da ALL, das sete principais commodities agrícolas transportadas pela empresa houve redução em apenas duas: soja (-21%) e arroz (-10%). As demais cresceram, como o trigo (87%) e o açúcar (82%). A siderurgia recuou 14%, mas alimentos e madeira, papel e celulose aumentaram o transporte em 9,5% e 12%, respectivamente. A empresa estava com tanto trabalho no primeiro trimestre que o custo com aluguel de vagões cresceu 128% para R$ 12,4 milhões. Mas, mesmo assim, a receita bruta da companhia de logística foi de R$ 724 milhões no primeiro trimestre, ou seja, 6,4% maior do que o registrado no mesmo período de 2010.

Então, o que fez o lucro diminuir de R$ 35 milhões para R$ 500 mil em 12 meses? As operações financeiras. O endividamento da ALL cresceu 32,7% para R$ 3 bilhões em um ano. A empresa registrou aumento de 30% no custo dos empréstimos, que passou de 8,6% para 11,2%. E houve prejuízo nos investimentos (não detalhado em balanço), que aumentaram as perdas de R$ 7,8 milhões para R$ 9,7 milhões no período.

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