Para evitar corrupção, OAS vai ser vigiada pelos próximos 25 anos

Os credores da construtora OAS, uma das principais protagonistas da corrupção apurada pela operação Lava Jato, decidiram que, pelos próximos 25 anos, tudo o que acontecer dentro da empresa estará diariamente sob vigilância; uma empresa especializada vai monitorar, e acionar o alarme ao menor sinal de suspeita, todos os balanços, fluxos de caixa, contratos, aditivos e licitações da companhia; essa foi a maneira que os credores encontraram para garantir que a empresa não vá, pelo menos até pagar os R$ 2,8 bilhões que deve, envolver-se novamente nos esquemas de corrupção que protagonizou nos últimos dois anos

Para evitar corrupção, OAS vai ser vigiada pelos próximos 25 anos
Para evitar corrupção, OAS vai ser vigiada pelos próximos 25 anos

247 - Os credores da construtora OAS, uma das principais protagonistas da corrupção apurada pela operação Lava Jato, decidiram que, pelos próximos 25 anos, tudo o que acontecer dentro da empresa estará diariamente sob vigilância. Uma empresa especializada vai monitorar, e acionar o alarme ao menor sinal de suspeita, todos os balanços, fluxos de caixa, contratos, aditivos e licitações da companhia, informa o Estado de S.Paulo. Esta foi a maneira que os credores encontraram para garantir que a empresa não vá, pelo menos até pagar os R$ 2,8 bilhões que deve, envolver-se novamente nos esquemas de corrupção que protagonizou nos últimos dois anos.

"A OAS deve faturar em torno de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões neste ano. Em 2014, faturou quase R$ 9 bilhões. Está hoje com 54 mil funcionários – eram 100 mil em março do ano passado. “Não podemos errar, porque dependemos dos nossos credores todos os dias. Temos de seguir sem vícios do passado. Algo deu errado e não pode dar errado de novo”, diz o diretor financeiro da OAS, Josedir Barreto. “Teremos agora um agente de monitoramento por toda a vida.”

Para que não fosse à falência, os credores perdoaram mais da metade da dívida de R$ 10 bilhões da empresa. Aceitaram tomar a Invepar, a principal empresa do grupo, que tem como sócios fundos de pensão e é dona de concessões como o aeroporto de Guarulhos, como pagamento de outra parte. Os credores aceitaram ainda receber juros irrisórios nos próximos cinco anos, cerca de R$ 15 milhões por ano, e o principal, já com o desconto, somente será pago em 10, 19 ou 25 anos, dependendo do tipo de credor.

Todas as condições foram acertadas no plano de recuperação judicial da companhia, que finalmente hoje pode ser oficializado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O plano foi aprovado por maioria dos 3 mil credores no fim do ano passado, mas um grupo de 19 credores ficou insatisfeito porque não teve direito a ratear a Invepar, e recorreu ao tribunal. Em setembro, dois desembargadores confirmaram o plano, mas o desembargador Fábio Tabosa pediu para fazer melhor análise e somente hoje deve apresentar seu voto.

A partir dessa decisão final é que o plano estará oficialmente em andamento, e finalmente a Invepar será repassada aos credores. Por enquanto, a estimativa é que a companhia já valha menos do que o R$ 1,3 bilhão de quando foi leiloada para os credores. Parte dessa desvalorização se deve ao fato de a empresa ter sido envolvida, mais recentemente, na Operação Greenfield, que investiga os negócios dos fundos de pensão, que detêm 75% da Invepar."

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