Para exportar, Brasil pode ter de reduzir preço da carne em até 20%

Na avaliação da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), entidade que abriga empresas exportadoras e importadoras, a operação Carne Fraca, da Polícia Federal, deve afetar a reputação da carne brasileira de categoria no mercado internacional, algo que forçaria seus produtores a cobrar menos do que os concorrentes

Brasil, Promissão, SP, 09/03/2006 – Foto: Alf Ribeiro – Linha de produção e corte de carne do Frigorífico Marfrig, em Promissão, SP
Brasil, Promissão, SP, 09/03/2006 – Foto: Alf Ribeiro – Linha de produção e corte de carne do Frigorífico Marfrig, em Promissão, SP (Foto: Giuliana Miranda)
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247 - Para a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), entidade que abriga empresas exportadoras a importadoras, a operação Carne Fraca, a Polícia Federal, deve ter um impacto duplo nas exportações de carne. A instituição acredita que as restrições que outros mercados devem ter ao País poderá reduzir os volumes vendidos entre 10% e 15%. 

Além disso, o escândalo deve afetar a reputação da carne brasileira de categoria no mercado internacional, algo que forçaria seus produtores a cobrar menos do que os concorrentes.

As informações são de reportagem de Eduardo Laguna e Letícia Pakulski no Estado de S.Paulo.

"No saldo final, com a queda tanto de volume como de preços, o Brasil pode perder neste ano entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões em exportações do produto. No ano passado, os embarques de carne chegaram a US$ 12,7 bilhões. “É um impacto grande”, afirma o presidente da AEB, José Augusto de Castro.

O executivo diz que o choque chega num momento em que os frigoríficos brasileiros vinham conseguindo aumentar preços, com valorização de 40% da carne suína, de 10% da carne bovina e de 20% do frango nos últimos 12 meses.

Mesmo que os embargos contra o Brasil possam, pela redução de oferta, pressionar paracima os preços internacionais, os produtores brasileiros terão que vender a preços mais baixos para voltar ao mercado, diz o titular da AEB.

'O preço no mercado internacional pode subir, mas o Brasil terá de vender mais barato. A alegação dos compradores para pagar menos será de que a carne brasileira é de segunda', comenta Castro.

Ele também diz que a operação da PF deve frustrar planos de produtores brasileiros de frango de ocupar espaços da concorrência americana após a descoberta recente de mais um foco de gripe aviária no Estado do Tennessee. 'Na sexta-feira, mudou tudo. Quem suspendeu a compra do Brasil terá que importar dos Estados Unidos ou ficar sem frango', diz Castro."

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