PEC coloca o Brasil na contramão do mundo, diz economista

"Em todos os países que adotaram medidas contracíclicas, aumento de gastos em momento de crise, a recessão passou e os indicadores melhoraram. Os déficits do Brasil não vão ficar nesses níveis nem nos próximos cinco anos, quem dirá nos próximos 20. Adotar estas medidas é ir na contramão do mundo", opina o economista Felipe Rezende, professor da Hobart and William Smith Colleges, no estado de Nova York (EUA)

Felipe Rezende, professor da Hobart and William Smith Colleges
Felipe Rezende, professor da Hobart and William Smith Colleges (Foto: Aquiles Lins)

247 - O economista Felipe Rezende, professor da Hobart and William Smith Colleges, no estado de Nova York, é uma voz dissonante em meio ao forte apoio da classe política e econômica à PEC 241, que propõe limitar os gastos públicos pelos próximos 20 anos. Em entrevista ao site da revista Exame, ele diz que a proposta vai colocar o Brasil "na contramão do mundo".

Ao contrário da avaliação da equipe econômica do governo de Michel Temer, Rezende afirma que o Brasil não está vivendo uma crise clássica de desarranjo econômico por falta de confiança dos investidores, como se propaga. Segundo ele, o problema está no endividamento das empresas.

Ele afirma que a dívida pública bruta trajetória ascendente inevitável e que estaria inclusive no mesmo patamar dos países emergentes com grau de investimento (representando cerca de 45% do PIB). Por isso, não faria sentido, segundo ele, criar uma emenda constitucional que congelasse os gastos públicos por um intervalo tão grande de tempo (20 anos), como prevê a PEC do governo Temer.

"Em todos os países que adotaram medidas contracíclicas, aumento de gastos em momento de crise, a recessão passou e os indicadores melhoraram. Nos Estados Unidos, no Japão, no Reino Unido, na França, o déficit diminuiu. Um déficit deste tamanho acaba estabilizando a atividade econômica e dá as bases para o crescimento. Os déficits do Brasil não vão ficar nesses níveis nem nos próximos cinco anos, quem dirá nos próximos 20. Adotar estas medidas é ir na contramão do mundo", diz o economista.

O modelo pregado pela PEC, de acordo com ele, também está ultrapassado, uma vez que o próprio FMI tem reconhecido que políticas contracíclicas são mais efetivas. "Esta política não é nem cíclica nem anticíclica, é acíclica, porque o crescimento dos gastos será o mesmo independente da fase econômica do país. Fora que o governo não controla a receita. Não há nenhuma garantia de que essa medida vá controlar a trajetória da dívida", diz.

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