Petrobrás abandona máquina de R$ 51 milhões

Estatal afirma, contudo, que retirar a tuneladora de duto do local provocaria prejuzo de R$ 700 milhes por atraso em obra

Petrobrás abandona máquina de R$ 51 milhões
Petrobrás abandona máquina de R$ 51 milhões (Foto: LUCAS LACAZ RUIZ/Agência Estado)

Por sugestão da então diretora de Gás e Energia, Graça Foster, a diretoria da Petrobrás determinou em 2010 que uma máquina perfuradora de túneis, comprada por R$ 51 milhões, fosse abandonada dentro de um túnel que atravessa a Serra do Mar, por onde passa o gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (SP).

A Petrobrás informou que o abandono do equipamento representou uma economia de pelo menos R$ 700 milhões. A empresa calcula que esse seria o valor do prejuízo caso fosse tomada a decisão de desmontar a tuneladora e retirar peça por peça, o que provocaria um atraso de 104 dias na conclusão do gasoduto. O prejuízo seria decorrente da perda de produção de óleo e dos gastos para suprir o mercado com gás durante o período.

A notícia de que, por sugestão de Graça Foster, a diretoria determinou o abandono da máquina, trazida da Itália, foi publicada nesta quinta-feira, 9, pela Folha de S. Paulo. Embora não seja usual, o procedimento costuma ser adotado na construção de túneis quando necessário, sempre por razões econômicas, segundo engenheiros ouvidos pelo Estado.

Um exemplo ocorreu na construção do Eurotúnel, que liga Inglaterra e França por três túneis sob o Canal da Mancha. Em um determinado momento da obra, as perfuradoras que partiram dos dois países encontraram-se. Como o equipamento não anda para trás, a solução encontrada foi enterrar o inglês e seguir com o francês até a Inglaterra.

De acordo com um engenheiro que participou do projeto da Petrobrás, o procedimento adotado foi correto, já que na construção do gasoduto, batizado de Gastau, condições geológicas desfavoráveis - rochas muito resistentes, por exemplo - resultaram em atrasos na evolução da obra.

O túnel tem 5,2 km. O gasoduto foi inaugurado em março do ano passado. A tuneladora, de 130 metros de comprimento, foi deixado dentro de uma câmara aberta na rocha especialmente para abrigá-la.

Especialista em túneis, o diretor financeiro do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, Luiz Carneiro de Oliveira, disse que "a Petrobrás é muito criteriosa" e deve ter tomado a decisão de abandonar a perfuradora após realizar estudos sobre quanto seria gasto nos dois processos.

"Sem conhecer detalhes do caso, posso dizer que a Petrobrás deve ter concluído que construir a variante (onde foi abandonada a máquina) causaria um prejuízo menor. Mas não é rotina uma empresa abandonar o equipamento. Mas qualquer obra desse porte tem risco de engenharia. O seguro paga o equipamento", afirmou Carneiro de Oliveira.

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