PIB: Precisa investir, Brasil

Quando comparamos o nível de investimentos com o PIB, encontramos uma relação de 18,7% para o Brasil. O índice é baixo, visto que o necessário para nossa economia estaria em torno de 22 e 23%

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Na última semana, tivemos a divulgação dos dados referentes à economia brasileira. O relatório do PIB, divulgado pelo IBGE, apresentou indicadores importantes para a análise macroeconômica e conjectura nacional. Além disso, tivemos mais uma queda da taxa básica da economia, que alterou a remuneração da poupança.

Em síntese, os resultados apresentados pelo PIB foram modestos, com crescimento de 0,2% quando se comparado ao último trimestre de 2011.

Pelos setores da economia, a Agropecuária vem sofrendo severamente quando se comparada às atividades do ano passado. Amargando uma queda de 8,5% em sua atividade, o setor sofre com problemas produtivos, principalmente ligados a qualidade de produção, restrições temporais e falta de crédito a produção.

O setor industrial, que passou por grandes dificuldades e levantou questionamentos sobre um processo de desindustrialização, quando os produtos importados estavam paralisando as atividades nacionais, conseguiu avançar apenas 0,1% quando se comparado ao ano anterior.

Porém, quando a análise centra-se nos trimestres de 2012 comparados com 2011, a evolução atingiu ótimo índice de 1,7%. Credita-se esta expansão do setor industrial frente ao último trimestre, as ações de apoio a indústria como desoneração tributárias, o câmbio  sob novo patamar e principalmente ao consumo das famílias e governo.

Pelo setor de serviços, os números demonstraram certa evolução. Com 1,6% de aumento na atividade quando se comparada ao ano anterior e 0,6% quando se comparado ao trimestre deste ano com o trimestre de 2011, o setor de serviços demonstra um grau de dinâmica e capacidade de transitar entre os outros dois setores, garantindo e canalizando energia para apoiar atividades que estejam mais pujantes.

Porém, dentro da análise do PIB, um dos principais indicadores para uma consolidação do crescimento e desenvolvimento econômico, é a capacidade de investimento na economia. O indicador de Formação Bruta de Capital (FBC) sofreu seriamente com o desenrolar econômico nacional e internacional, trazendo certa preocupação.

A FBC é importante pois indica os movimentos de investimentos produtivos, compra de máquinas e por conseguinte apresenta de forma real as intenções empresariais.

Um baixo FBC torna-se um problema a partir do momento em que a ausência de investimentos atrapalha o salto qualitativo da produção e torna impossível ampliar a eficiência produtiva, o que reduziria o custo Brasil de produzir e recolocaria nossos produtos na rota da competitividade mundial. Não distante, faz-se necessário registrar em estudo recente, que o nível de competitividade brasileiro perdeu duas posições, piorando ainda mais nossa delicada condição.

A queda de quase 2% no índice de FBC é preocupante, principalmente porque já não vínhamos investindo o suficiente para melhorar a economia e prepará-la para uma nova fase de expansão. Assim, uma queda piora o cenário futuro, e agravará a retomada do crescimento.

Quando comparamos o nível de investimentos com o PIB, encontramos uma relação de 18,7% para o Brasil. O índice é baixo, visto que o necessário para nossa economia estaria em torno de 22 e 23%. Agrava-se ainda este problema quando sabemos de nossas fragilidades estruturais.

Outros países, como China, tem um índice de investimento/PIB na casa dos 40%. Na Rússia, esta relação alcança o índice de 20%, enquanto na Índia, chega a 34%.

Outra análise importante e que abre um hiato entre investimento e consumo é o fato de que o consumo das famílias continua crescente, apresentando que a estratégia de se apoiar no consumo interno para manter a economia aquecida deu resultado, porém, suas contra indicações já começam a ser sentidas, como o endividamento das famílias e a corrida ao crédito.

O consumo do governo também se manteve positivo, tratando de uma estratégia para manter a economia aquecida. No entanto, pede-se apenas uma melhor qualificação do dispêndio.

Enfim, os dados da economia brasileira demonstram que o consumo da família ainda consegue manter o caminhar econômico, porém, precisa-se destravar os investimentos para que a ponte entre o médio crescimento e o pleno desenvolvimento seja alcançado.

A agropecuária sofreu com os níveis de produtividade, puxando os dados da economia para baixo. Alguns creditaram esta queda comparativa devido ao extraordinário crescimento em 2011, fazendo assim um ajuste. Não acredito em tal explicação. Apoio a idéia de que faltou investimento nas lavouras e plantações, além da necessidade de um fortalecimento da cadeia agroindustrial.

Pautar apenas no consumo das famílias poderá trazer prejuízos a longo prazo para o pleno desenvolvimento, fazendo assim necessário um ajuste neste momento. A queda da taxa Selic mostra que o governo busca programar uma marcha mais forte para não deixar a economia paralisar. As estratégias foram colocadas a mesa, mas o que se refere ao consumo das famílias e o setor agrícola precisam passar por uma atenção mais próxima.

O nível de poupança interna também precisa ser registrado nesta lista de preocupações, uma vez que tal reserva é fonte estratégica de aplicação macroeconômica.

Antônio Teodoro é economista e professor

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