Por um 2014 mais institucional

Espero um salto qualitativo social em 2014, com escolhas mais racionais e menos desindustrialização, menos intervencionismo e mais esforço social

Passadas as festas, as comemorações e todas as emoções de iniciarmos um novo ciclo tanto na vida pessoal como profissional, os cenários econômicos para 2014 começam a se delinear. É hora de começarmos os exercícios de desenhar os prováveis acontecimentos que determinarão a agenda econômica do novo ano.

De todas as perspectivas e cenários, o que temos certeza é que as aspirações econômicas estarão de forma definitiva no centro das atenções. Em ano eleitoral, que teve um pretérito de difíceis índices econômicos, a economia estará de forma definitiva na agenda dos políticos, nos debates e nas avaliações externas.

O peso econômico será decisivo na manutenção ou na alternância do poder político, em todas as esferas. As conquistas sociais precisam ser contínuas, duradouras e deixaram de ser moeda de troca. Agora, precisamos garantir um status social muito mais amplo, muito mais complexo e alinhado com os anseios da população.

Foi-se o tempo em que a moeda de troca era exclusivamente a entrega de um cartão de benefício social. As demandas populacionais aumentaram, e mesmo que ainda em pequena escala, a visão de longo prazo mostra um crescimento imperativo.

Não adianta financiar casas próprias sem redes de transportes eficientes que garantam o deslocamento da população. Não há comunidades sem segurança, sem saúde. Não há como os pais trabalharem se não há creches para deixarem os filhos. Não há mão de obra disponível sem qualificação, ou seja, as demandas sociais e econômicas se ampliaram, e isso ocorre de forma consciente em toda a população.

Precisamos de um debate econômico e social, integrados, unidos e amplos. Inclusão e manutenção das novas ordens socioeconômicas são pautas decisivas e fixas de todo o debate político. Não há avanço social sem contribuição econômica e não há desenvolvimento econômico sem a elevação social.

2014 começa com um cenário pior que 2013, sem dúvida. Taxas de juros básicas mais altas, nível de formalização de emprego com tendência baixista, inflação acima do ideal e perda de credibilidade nos agentes econômicos. Não significa que 2014 precise terminar mal. Aliás, espero um salto qualitativo social em 2014, com escolhas mais racionais e menos desindustrialização, menos intervencionismo e mais esforço social. Planejamento de longo prazo e uma política macroeconômica estratégica contemplam as expectativas positivas para 2014.

Dilma cumpre sua função institucional de declarar otimismo para o ano 2014, porém, grandes desafios estarão pautados em suas ações: organizar o orçamento público; redimensionar gastos em ano eleitoral; conciliar a agenda estadista da agenda eleitoreira; reaproximar-se da cadeia produtiva nacional; ampliar os projetos de privatização, garantindo eficiência administrativa e retornos financeiros aos parceiros privatizantes; garantir que a Copa do Mundo seja algo positivo como legado social; reduzir o abismo entre legislativo, executivo e sociedade.

O debate dos ajustes fiscais, o processo de desoneração, o relaxamento fiscal, a necessidade de manter o superávit primário com grande índice de confiança institucional e obviamente uma revisão orçamentária para reduzir o custo da máquina pública acentuam uma agenda de ações delicadas a serem enfrentadas pelo governo federal.

Tivemos um ano com perdas institucionais irreversíveis e rompimento da confiança do empresariado sobre a capacidade do governo federal em destravar a economia.

Começamos o ano com alterações importantes, que mexem diretamente no bolso do cidadão. O salário mínimo, a partir de Janeiro, é de R$ 724,00 frente R$ 678,00. É uma injeção de capital no giro econômico, que contemplará uma grande parte dos trabalhadores e principalmente pensionistas.

Em termos nominais, um dos piores reajustes dos últimos anos, muito em função da queda do crescimento do PIB que serve como baliza para o reajuste salarial. Para as contas públicas, estima-se elevação de gastos de R$ 14 bilhões. Um rombo que precisa ser pago com elevação na eficiência de arrecadação e racionalidade administrativa. A carga tributária já bateu no teto há muito tempo, e não há espaço para buscar mais esforço na sociedade.

Outra alteração importante, já em vigor para estes primeiros dias de 2014 foi o reajuste da tabela de Imposto de Renda. As alíquotas vieram automaticamente sendo reajustadas em 4,5% desde 2010. O ponto, neste caso, é que houve um aumento desproporcional entre as faixas e a taxa de inflação. Destaque-se que hoje, quem ganhe 3 salários mínimos, já passaria a pagar o imposto retido na fonte. Houve uma ampliação das contribuições, o que na verdade significa aumenta da base de tributação, menos renda disponível e mais dinheiro para os cofres públicos.

Durante todo o ano de 2014 o governo não terá as mesmas margens de manobra para buscar o estímulo do consumo para reanimar a economia. Enfim, 2014 promete um ano de grandes temas, muitas mudanças e resultados econômicos que serão influenciados pela retomada consciente da prudência econômica nacional e também de externalidades que possam ser geradas por movimentos nas economias estadunidenses e chinesa.

Pelo lado de Washington, a nova política do FED será capaz de melhorar significativamente o cenário mundial. Pelo lado de Pequim, as mudanças e reformas na economia tendem a iniciar seus resultados, porém, sua atenção será interna, e não há expectativa de indução direta dos chineses em outros países, exceto em setores financeiros, com a expansão de seus bancos para outros países.

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