Pré-delação de Palocci atinge BTG Pactual

A proposta de acordo de delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci afirma que a compra de participação no Banco Panamericano pela Caixa Econômica Federal, em 2009, atendeu a interesse do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual; segundo Palocci, era preciso que a Caixa comprasse a instituição financeira para ajudar a saneá-la; o Panamericano foi vendido um ano e cinco meses depois para o BTG Pactual, seu atual controlador

André Esteves e Palocci
André Esteves e Palocci (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Em sua proposta de delação premiada, Antonio Palocci afirmou que a compra de participação no Banco Panamericano pela Caixa Econômica Federal, em 2009, atendeu a interesse do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Segundo o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, era preciso que a Caixa comprasse a instituição financeira para ajudar a saneá-la. O Panamericano foi vendido um ano e cinco meses depois para o BTG Pactual, seu atual controlador.

As informações são de reportagem de André Guilherme Vieira no Valor.

"O relato de Palocci aponta que Esteves teria informações prévias sobre a situação do Panamericano, que àquela altura já enfrentava sérias dificuldades financeiras, com rombo da ordem de R$ 3 bilhões. O banqueiro teria uma estratégia para lucrar com o negócio, adquirindo, posteriormente, ações do Panamericano. Em 2010, a instituição financeira recebeu aporte de R$ 3,8 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para se manter operante.

De acordo com a narrativa de Palocci, houve uma 'parceria informal' de Esteves com o governo, da qual o banqueiro teria se beneficiado, conforme apurou o Valor.

O Banco Panamericano, que pertencia ao empresário Silvio Santos, foi adquirido pela Caixapar em 1º de dezembro de 2009 por R$ 739,2 milhões, sendo socorrido pelo FGC no ano seguinte.

Após 15 meses, em maio de 2011, o BTG Pactual comprou maior participação acionária do Panamericano por valor inferior ao pago pela Caixa - R$ 450 milhões -, ficando com 37,27% do capital total da instituição, e passando à condição de sócio do banco público, que detém 35,54% das ações do Panamericano.

Em fase mais avançada de negociação, a proposta de delação de Palocci conta com anexo específico sobre operações financeiras do BTG Pactual, como a segunda compra do Panamericano.

Palocci tem ratificado que a venda do Panamericano para a Caixapar, braço de investimentos da Caixa, foi articulada em negociações com o Planalto. No fim de 2010, o Banco Central (BC) descobriu esquema de fraudes no Panamericano, que estava quebrado."

Em nota, o BTG Pactual negou envolvimento na compra do banco Panamericano. "O BTG Pactual esclarece que não foi parte ou teve qualquer envolvimento na compra de participação do Banco Panamericano pela CAIXAPAR em 2009. A transação do BTG Pactual foi feita em 2011 com o então controlador, Grupo Sílvio Santos, cuja venda foi definida no contexto das dificuldades enfrentadas pelo Banco Panamericano à época", disse o banco por meio de sua assessoria de imprensa. 

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