Procura-se investidor, desesperadamente

Erraram a mão no protecionismo desenfreado, e parece que só agora, após um ano de tempo perdido, é que recomeçam os pensamentos e discussões sobre o novo modelo privatizador

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O governo tenta sair de sua paralisia estratégica atacando parcerias e promovendo concessões para alavancar os investimentos, principalmente na área de infraestrutura ferroviária. Os problemas enfrentados ao longo de todo o planejamento e tentativa de execução certificam a incompetência na condução de processos estratégicos deste governo e a falta de mobilidade de seus agentes.

Dilma Rousseff tenta ainda salvar e registrar seu mandato como algo que promoveu melhorias nos serviços públicos e caminhou a passos largos na melhoria da relação Estado x População. Infelizmente, ainda só estamos com a vontade de assim fazer, sem efeitos concretos e um emaranhado de decisões e incoerências que se mostram mais como atropelos do que posicionamentos.

Desde o ano passado, o programa está escrito, lançado, mas não conseguiu atrair grandes investidores com capacidade de execução das obras. Obteve-se assim a comprovação de quão ruim pode ser a mão pesada do Estado na economia.

Erraram a mão no protecionismo desenfreado, e parece que só agora, após um ano de tempo perdido, é que recomeçam os pensamentos e discussões sobre o novo modelo privatizador.

Busca-se encontrar um meio termo, e articular de forma definitiva as novas ações para que se possam alavancar os projetos. Alguns conglomerados foram taxativos ao afirmar que caso continuasse da maneira como estivera rascunhado o processo de privatização, não entrariam na tomada de preços.

Outros operadores e possíveis investidores acabaram desistindo e argumentando que não há um arcabouço jurídico confiável, uma vez que o governo já mexeu em diversos contratos ligados a outras áreas que demandam vultuosos investimentos e debilitaram o retorno ao capital investido. Áreas de energia e portos são exemplo da inconstância jurídica pelo qual o governo passa.

Na tentativa de romper esta queda de confiança institucional, Dilma convocou Guido Mantega e equipe, além de Tombini e seus técnicos a entrarem na jogada para destravar o problema junto a iniciativa privada e já elencou alguns fatores inibidores ao interesse em participar da demanda.

O ministro ainda buscou em reuniões privadas articular e recaptalizar a confiança do empresariado no crescimento da economia nacional, fazendo com que o investimento não seja escasseado em outras áreas, e pedindo maior mobilidade aos conglomerados.

Setores como de serviços e comercio, que andavam distantes do governo, receberam tratamento de destaque nesta fase de reaproximação.

As medidas positivas geradas pela desoneração da folha também foram pauta da agenda positiva implementada para capturar novos investidores. Os ganhos realmente foram importantes para o empresariado enfrentar as sazonalidades.

Mantega tenta deixar o mote da contabilidade criativa, que vem garantindo à sua gestão uma marca não muito desejada: penosas tomadas de decisões e desgastantes articulações para que os objetivos sejam cumpridos.

Além desta empreitada de Mantega, coube ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini lutar para ampliar o poder de reconhecimento de suas atuações e tentando retomar a confiança do mercado sobre suas os índices de preços e também a contenção da subida do dólar.

O BC vem entrando de forma firme para impedir um salto muito grande da cotação, e mesmo assim os efeitos estão muito abaixo do esperado. A disparada da moeda estadunidense permanece com viés altista. Tombini, segue dividido entre defender a inflação, atender aos anseios do governo e tentar segurar o dólar.

Em um momento no qual a economia mundial ainda não responde aos estímulos e o fluxo de investimentos permanece sem uma rota definida, o governo brasileiro tenta e precisa emplacar projetos grandiosos para fomentar o crescimento da economia. Mesmo com os solavancos da economia chinesa com pontos fora da curva de tendência, há expectativa que a locomotiva mundial volte aos velhos tempos, ou que pelo menos saia de seu momento de letargia.

Buscar investidores para aplicar em projetos tão grandiosos requer muito mais que algumas cartas na manga no jogo de atração de capital. É necessário garantir um bom plano de resultado e garantias institucionais que os contratos firmados por agora não serão rasgados nem sofreram alterações significativas.

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