Queda nos preços de minério de ferro prejudica mais a CNS

Segundo analistas do JP Morgan, cenário desafia resultados de mineradoras e siderúrgicas, à exceção da Gerdau

Queda nos preços de minério de ferro prejudica mais a CNS
Queda nos preços de minério de ferro prejudica mais a CNS (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)

247 - As quedas no preço de minério de ferro, cotado a menos de US$ 100,00 a tonelada, desafiam não só a geração de caixa de mineradoras, mas também de siderúrgicas que atuam no setor de mineração. Segundo analistas do JP Morgan, a CSN, que tem 50% do Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) lastreado em minério, é a mais prejudicada por este cenário. Na outra ponta, os analistas recomendam aumento de posição e manutenção para os papéis da Gerdau, que não deve sofrer impactos, em 2012, causados pela cotação do minério de ferro.

Leia, abaixo, matéria do Infomoney.

O preço de minério de ferro tem apresentado fortes quedas. O cenário é desafiador tanto para as mineradoras, com destaque para a Vale (VALE3; VALE5), quanto para as siderúrgicas, já que com o preço da commodity estando cotado abaixo dos US$ 100 a tonelada, as companhias do setor podem ser fortemente afetadas - sendo a CSN (CSNA3) a mais prejudicada.

Embora a commodity seja um insumo para a produção de aço, muitas dessas empresas estão desenvolvendo segmentos de mineração, ou seja, a queda nos preços também acaba impactando seus resultados. A CSN tem 50% do Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) lastreado em minério, e com esse cenário de queda do preço, a geração de caixa da companhia também deve cair, estimam os analistas Rodolfo de Angele e Mandeep Manihani, do JPMorgan.

Eles acreditam que o preço do minério deve ficar cotado próximo dos US$ 100 a tonelada ao longo de 2012 e 2013, o que deve levar a uma queda de 14% nas estimativas dos analistas para o Ebitda da CSN este ano e 37% no ano que vem, caindo de US$ 4,6 bilhões para US$ 4,2 bilhões e US$ 5,5 bilhões para US$ 4,1 bilhões, respectivamente.

Na última semana, o preço do minério de ferro perdeu importante patamar e está cotado abaixo dos US$ 100,00 a tonelada, e esse panorama não deve beneficiar também a Usiminas (USIM3; USIM5), que deve ter 50% do Ebtida gerado a partir dos negócios de mineração em 2013, avaliam os analistas.

Isso significa que o preço baixo do minério não deve compensar as perdas na divisão de mineração, embora favoreça os negócios de aço. Assim, o banco de investimentos reiterou sua recomendação underweight (desempenho abaixo da média) para as ações.

A exceção fica por conta da Gerdau (GGBR4), que permanece sendo a preferida do setor para o JPMorgan. Eles recomendam aumentar exposição à Metalúrgica Gerdau (GOAU4) - para eles, a forma mais barata para entrar no setor. Dessa forma, o call do banco norte-americano para GOUA4 é overweight (desempenho acima da média), enquanto para GGBR4 é manutenção.

Eles não estimam nenhum impacto significativo na holding em 2012. A Gerdau deve ser 100% autosuficiente em minério de ferro até o final de 2012, frente aos atuais 70% a 80%, apontam.

A Vale, claramente, será afetada pelo baixo preço da commodity, que corresponde a 90% do Ebitda da empresa. Os analistas reduziram suas estimativas de geração operacional de caixa em 2012, de US$ 23 bilhões para US$ 16,1 bilhões. Contudo, eles acreditam que a disciplina do capex (investimentos em bens de capital) será extramamente importante para o desempenho da empresa.

Outra mineradora brasileira que também deve ser prejudicada é a MMX Mineração (MMXM3), indicam os analistas. A companhia deve apresentar queda no fluxo de caixa guiada por maiores gastos com capex, o que pode acelerar a necessidade da empresa em garantir financiamentos para expansão dos projetos, indica o JPMorgan.

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