Reuters prevê retomada só no segundo semestre

"É um momento delicado na gestão da presidente Dilma", disse 'importante membro da equipe econômica' à Reuters; segundo ele, o governo sabe que até junho a economia brasileira não reagirá com firmeza e que a inflação continuará elevada, mantendo a gestão da presidente Dilma Rousseff vulnerável a críticas

Reuters prevê retomada só no segundo semestre
Reuters prevê retomada só no segundo semestre (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Por Luciana Otoni e Alonso Soto

BRASÍLIA, 6 Mai (Reuters) - O governo sabe que até junho a economia brasileira não reagirá com firmeza e que a inflação continuará elevada, mantendo a gestão da presidente Dilma Rousseff vulnerável a críticas, avaliou um importante membro da equipe econômica.

O quadro econômico desfavorável, na avaliação da fonte, levou à antecipação do debate eleitoral de 2014, e complicou ainda mais a gestão da política econômica.

"É um momento delicado na gestão da presidente Dilma", disse a fonte à Reuters, que preferiu não ser identificado para poder falar mais abertamente sobre a economia.

A reversão do quadro de baixo crescimento e pessimismo em relação à economia virá a partir de julho, quando o governo começará a tirar do papel os leilões de infraestrutura, como rodovias e aeroportos.

"Em julho, vamos colocar um leilão atrás do outro na rua. Leilões de rodovias e de aeroportos e isso, juntamente com os efeitos mais plenos das desonerações já adotadas, melhorará o ânimo sobre a economia brasileira".

Pelo cronograma do governo, estão previstos para a partir de julho os leilões de concessão de nove lotes de rodovias federais e o lançamento dos editais de concessão dos aeroportos de Confins, em Minas Gerais, e do Galeão, no Rio de Janeiro.

Assim como outros membros da equipe econômica, ele acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) terá uma recuperação gradual este ano e a inflação irá declinar, mas ainda sem convergir para a meta de 4,5 por cento ao ano.

Para alavancar a economia, além dos leilões, o governo está contando com o efeito dos cerca de 70 bilhões de reais em renúncia fiscal já anunciados para este ano.

Segundo a fonte, o Ministério da Fazenda não deverá adotar novas desonerações expressivas neste ano, apenas reduções tributárias pontuais e de pequeno impacto.

De modo geral, os economistas acreditam que o PIB brasileiro crescerá 3 por cento neste ano, mas já existem avaliações mais pessimistas, como a do Bradesco, que reduziu suas contas sobre o crescimento do PIB a 2,8 por cento em 2013, ante 3,5 por cento.

Em março, a inflação estourou o teto da meta, de 4,5 por cento com dois pontos percentuais para mais ou para menos, com o IPCA registrando alta de 6,59 por cento no acumulado em 12 meses. .

A escalada nos preços levou o BC a elevar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 7,50 por cento ao ano, em meados de abril para segurar o consumo e os preços, movimento delicado neste momento em que a economia não dá sinais mais robustos de recuperação.

A produção industrial, por exemplo, subiu apenas 0,7 por cento em março frente a fevereiro, abaixo do esperado e indicando cenário de incertezas para o setor industrial e para a atividade econômica.

FRAGILIDADE POLÍTICA

Segundo a fonte, se até 2012 as dificuldades se concentravam apenas em fazer a economia crescer em ritmo maior, neste ano esses desafios aumentaram com a inflação disseminada e com a crítica aberta dos potenciais adversários políticos da presidente ao seu modelo econômico.

"Esta é uma situação de grande preocupação no governo e temos que ser bastante cuidadosos com a comunicação", afirmou a fonte, acrescentando que o governo tem de responder às críticas sem gerar ruídos no mercado.

Os questionamentos sobre a capacidade de Dilma em fazer a economia crescer e controlar os preços se tornaram recorrentes nas últimas semanas, sobretudo vindos de seus potenciais adversários nas eleições presidenciais do próximo ano.

Tanto o senador Aécio Neves (PSDB-MG) quanto o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB-PE) têm atacado o governo com duras críticas, como a de que seria leniente com a inflação. Os ataques ficaram ainda mais evidentes na última quarta-feira, quando a oposição fez do Dia do Trabalho um dia de protesto contra a inflação e a perda do poder aquisitivo das famílias.

"Ficou acertado que, para evitar ruídos, somente Mantega (ministro da Fazenda, Guido Mantega) falará sobre macroeconomia. E Mantega pediu a seus secretários que redobrem os cuidados na comunicação", informou.

Mesmo com esse acerto, a semana anterior começou tensa para a área econômica, que ficou incomodada com a entrevista dada pelo secretário do Tesouro, Arno Augustin, ao jornal Valor Econômico, afirmando que o superávit primário será uma variável da economia e não mais da dívida pública, reforçando a mensagem de que o governo não perserguirá a meta cheia de 2013, de 155,9 bilhões de reais.

"Essa entrevista provocou mal estar. O problema não foi o que ele disse, mas o contexto, em meio às críticas ao governo", comentou a fonte.

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