Tîjolaço: fracasso fiscal de Temer é desculpa para privatizar

Fernando Brito comenta a queda da arrecadação federal e diz que o governo caminha para a geração de rombos mensais na casa de R$ 30 bilhões/mês, o que serve de pretexto para a privatização a qualquer custo; "É o Brasil entregue na bacia das almas", diz ele

meirelles temer
meirelles temer (Foto: Leonardo Attuch)

Por Fernando Brito, editor do Tijolaço

A arrecadação do Governo Federal, em julho, caiu, o,34% em termos reais frente a julho passado.

Um pouquinho?

Não,  são uma enormidade, não apenas porque julho passado já havia sido o pior da série desde a recessão 2009/2010.

Enormidade porque, mantido o crescimento real das despesas registrado mês passado e considerado o mesmo percentual de transferências obrigatórias,  vai deixar a receita líquida total  abaixo dos 90 bilhões de reais contra uma despesa não muito inferior aR$ 120 bilhões, porque esta, com todos os cortes, ainda cresce fortemente.

Um déficit, portanto, bem superior aos cerca de R$ 19 bilhões que compuseram o déficit primário do mês no ano passado e que vão elevar para perto de R$ 170 bilhões o déficit acumulado em 12 meses – nesse valor incluídas as receitas de R$ 35 bilhões da repatriação de recursos do exterior do ano passado, que nem de longe se repetiram este ano.

Não é nenhum absurdo imaginar que, entre receitas extraordinárias (Refis, leilões de petróleo e venda das usinas da Cemig)  e resultado do aumento do PIS/Cofins, o Governo Federal precisa levantar cerca de 50 bilhões para chegar perto de cumprir a meta ampliada de déficit de R$ 159 bilhões).

A conta, nem na melhor das hipóteses, fecha.

O “apagão” da máquina pública, a partir de setembro, é inevitável.

O Orçamento, contingenciado, praticamente se esgota este mês, o mais tardar em setembro.

Veremos pequenas liberações seletivas de recursos aliviando tal ou qual situação dramática, aqui e ali, não mais que isso.

Daí a correria (e a justificativa) de vender tudo a toque de caixa, inclusive áreas lucrativas das estatais.

É o Brasil entregue na bacia das almas, para dizer que, ano que vem “a coisa vai”.

Vai, não. Já foi.

Pro brejo.

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