Tijolaço: Guido Mantega não tinha o direito de ser um imbecil

"Guido Mantega não tinha o direito de, antes e depois de ser Ministro da Fazenda, deixar de declarar a posse de dinheiro numa conta no exterior", diz Fernando Brito, editor do Tijolaço; "Mantega, ministro da Fazenda, só pode ser um imbecil se achar que suas contas não serão rastreadas mil vezes, aqui e lá fora e que qualquer transação, mesmo a mais lícita, tem de estar registrada e declarada"

Brazil's Finance Minister Guido Mantega attends the announcement of the measures that the Brazilian government intends to take to the electricity sector in Brasilia March 13, 2014. Brazil's government will allow an increase in electricity rates to help di
Brazil's Finance Minister Guido Mantega attends the announcement of the measures that the Brazilian government intends to take to the electricity sector in Brasilia March 13, 2014. Brazil's government will allow an increase in electricity rates to help di (Foto: Leonardo Attuch)

Por Fernando Brito, editor do Tijolaço

Admita-se que o sr. Guido Mantega, que sempre recebeu deste blog a defesa em todas as indignidades que com ele se fez, como a de o mandarem prender na antessala do centro cirúrgico onde sua mulher se submeteria a uma cirurgia oncológica, esteja dizendo a verdade.

Admita-se que, como ele diz ser capaz de provar, o depósito que recebeu no exterior seja relativo à venda de um imóvel de seu pai e que tenha sido anterior à sua chegada ao Ministério da Fazenda, como confessa em sua petição ao STF.

Ainda assim, com todo o benefício destas presunções, o Sr. Guido Mantega não tinha o direito de, antes e depois de ser Ministro da Fazenda, deixar de declarar a posse de dinheiro numa conta no exterior.

E as palavras não poderiam ser mais claras: “Aproveita, outrossim, para esclarecer que não espera perdão nem clemência pelo erro que cometeu ao não declarar valores no exterior”.

Mesmo que tudo seja honesto e lícito, ocultar estes valores não é.

Não é do ponto-de-vista fiscal e não é do ponto-de-vista moral. Para ninguém e muito menos para alguém que ocupa o Ministério da Fazenda de um governo popular.

A omissão nunca é decente e, por isso, este blog faz questão de assumir posição.

Não por moralismo, mas por consequências políticas.

Eu, você e qualquer um estamos sujeitos a pendências fiscais. A elas, contesta-se ou se as quita.

Já fiz ambas as coisas, por ter razão e por não ter razão.

Mas nada fica obscuro.

Mantega, ministro da Fazenda, só pode ser um imbecil se achar que suas contas não serão rastreadas mil vezes, aqui e lá fora e que qualquer transação, mesmo a mais lícita, tem de estar registrada e declarada.

O desvio de conduta de Mantega é algo que se resolve pagando as multas e penalidades pelo que ocultou.

Mas o desvio moral não tem paga possível.

Embora nem Lula nem Dilma soubessem do ocultamento, como é evidente, é a eles que Mantega traiu com sua atitude estúpida e pueril. Burra, antes de tudo, porque a omissão de nada o protegeu e a tudo o expõe, agora.

Como ser humano, posso ter piedade de Guido Mantega.

Como ser político, não.

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