HOME > Economia

Veto da União Europeia à carne brasileira é 'inaceitável', diz diretor global da JBS

Gilberto Tomazoni diz que o Brasil precisa agir para preservar mercado estratégico de proteína animal e que há espaço para reverter a ameaça

CEO da JBS, Gilberto Tomazoni 18/01/2024 (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou que o Brasil tem condições de reverter a ameaça de veto da União Europeia às importações de carne brasileira e classificou como inaceitável a possibilidade de o país deixar de abastecer um dos mercados mais relevantes para o setor de proteína animal.

As declarações foram feitas durante o evento AGRO 360º, promovido pelo The AgriBiz em parceria com o Brazil Journal. Segundo informações publicadas pelo The AgriBiz, o governo brasileiro e entidades do setor estão mobilizados para atender às exigências sanitárias do bloco europeu e evitar restrições às exportações nacionais.

União Europeia cobra garantias oficiais

O impasse surgiu após o Brasil ser retirado da lista de fornecedores considerados aptos a atender plenamente as regras da União Europeia sobre o uso de antibióticos em produtos de origem animal. Pela legislação europeia, é proibida a utilização dessas substâncias como promotores de crescimento.

De acordo com Tomazoni, a principal exigência do bloco não está relacionada ao cumprimento das regras pelas empresas, mas à necessidade de uma certificação oficial emitida pelo governo brasileiro.

“O que a UE está exigindo são garantias oficiais de que os produtos que chegam lá sejam auditados pelo governo brasileiro. As indústrias já cumprem a legislação, mas eles estão pedindo uma certificação oficial do governo”, explicou.

Na última sexta-feira (5), o governo brasileiro entregou à União Europeia a documentação solicitada para comprovar que o uso de antimicrobianos segue os parâmetros exigidos pelas autoridades europeias.

Caso o país não consiga demonstrar, até setembro, que possui mecanismos eficazes para garantir o cumprimento dessas normas, as exportações brasileiras de carne para o bloco poderão ser suspensas.

JBS pede ação firme do governo brasileiro

Após participar do evento, Tomazoni defendeu uma atuação intensa do governo brasileiro junto às autoridades europeias para solucionar o impasse. “Agora, o Brasil tem que estar com uma posição muito efetiva na União Europeia, trabalhando em cima para que a gente possa reverter isso. Não dá para aceitar que a gente não forneça à UE, já que nós produzimos de acordo com os regulamentos da UE”, declarou.

O executivo ressaltou a importância estratégica do mercado europeu para o agronegócio nacional e afirmou que o Brasil deve adotar todas as medidas necessárias para manter o acesso ao bloco.

“E eu acho que temos todas as condições de reverter, porque nós produzimos de acordo. É uma questão de dar uma garantia oficial de que cumprimos a legislação”, acrescentou. “É uma questão que, para mim, vai ser superada.”

Rastreabilidade será cada vez mais exigida

Durante sua participação no painel do AGRO 360º, Tomazoni afirmou que a exigência europeia pode até ser interpretada como uma barreira não tarifária, mas observou que as mesmas regras são aplicadas aos produtores do próprio bloco. “Eles apenas querem equiparar.”

O CEO da JBS também destacou que o episódio reforça a necessidade de o Brasil avançar em sistemas de rastreabilidade e transparência, requisitos cada vez mais valorizados pelos mercados internacionais.

"Temos até setembro para provar que somos capazes. Essa urgência tem sido percebida por todos os órgãos envolvidos no setor. Claramente, vamos conviver com isso. Não será a última vez; temos que construir um sistema de rastreabilidade e transparência para garantir que o Brasil possa acessar esses mercados exigentes e aqueles que vão se proteger em busca de segurança alimentar", concluiu.

Artigos Relacionados