Viver na medida que se ganha

Vive-se na medida que se ganha, e não ganhamos na medida que se vive. Esta frase remonta a tempos antigos , resume bem um dos pilares da vida financeira saudável

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A listagem de despesas neste início de ano é grande: IPVA, IPTU, matrículas escolares, lista de materiais e por ai segue. Isso sem contar as despesas que já estão previstas mensalmente em nosso cotidiano, como condomínio, água, luz, telefone, aluguel, supermercado e outros.

Mesmo com o incremento do salário mínimo, que para muitos já traz o tormento inflacionário, criando as expectativas nos reajustes de preços e alimentando o que chamamos de inflação inercial, faz com que a demanda pelo suado dinheirinho ganhado seja grande, o que significa dizer que o aumento de tarifas de serviços e outras despesas drenam o salário mensal, inviabilizando manobras de poupança ou até mesmo de quitação total das despesas.

De se destacar, muitos brasileiros não possuem seu salário atrelado aos reajustes do salário mínimo, e vem reclamando de perdas de seu poder aquisitivo quando comparado a taxa de reajuste do salário mínimo em anos anteriores.

As alternativas para que se tenham um impacto menor nas contas pessoais é o planejamento financeiro, tendendo para a educação financeira. A educação está ligada ao hábito, a cultura de se organizar financeiramente.

Engana-se quem pensa que a educação financeira é a avareza, a mediocridade e ao famoso estigma de "mão de vaca". Educar-se financeiramente é não ser escravo do dinheiro, não ser escravo das taxas de juros abusivas do mercado e saber utilizar seus recursos na forma que melhor lhe retorne em satisfação, tranquilidade e rentabilidade.

A grande questão é que isso não é fácil, requer disciplina e muito esforço. Porém, também não é algo inalcançável e distante de todos nós.

Em todo início de ano, traçamos nossas vontades, nossas metas, nossos objetivos, nosso horizonte de vivência. Dentro desta rota, precisamos incluir as formas de nos preparar para as eventualidades, para as oportunidades e garantir o maior nível de saúde financeira possível.

Destaco que a saúde financeira não significa exclusivamente dizer que volumes vultosos de dinheiro estarão investidos em aplicações financeiras e que se terá um novo milionário nascendo a cada minuto. A educação financeira é um equilíbrio, uma tranquilidade econômica, que possui medidas diferentes para cada tomador.

Para tentarmos atingir este objetivo, um dos primeiros passos é descrever de forma detalhada, as despesas correntes do mês, as eventuais e como estão os saldos anteriores, não se esquecendo de que, caso existam dívidas, relacioná-las em acordo a taxa de juros.

Observe sempre a diferença entre o valor pago na forma de juros e o valor principal, tomando conhecimento sobre o montante final. Muitos têm medo de calcular o volume de juros que se pagará ao final de alguma despesa, como o de um financiamento de veículo, por exemplo, mas atesto que tal medida obviamente não reduzirá o prejuízo, e fará apenas que se tenha um descolamento do real desembolso do bem adquirido.

Tomar conhecimento da situação financeira, diagnosticando onde está o problema é o primeiro passo para que possamos nos educar financeiramente, e por isso, nossos primeiros movimentos são em encontro a estas ações, descrevendo nossas despesas, tomando conhecimentos dos montantes desembolsados e não nos esquecendo de dimensionarmos as receitas.

Caso as contas mensais não fechem, procure sanear as de maior impacto, o que significa dizer que os maiores grupos de despesas deverão ser analisados prioritariamente, principalmente gastos com supermercado e alimentação.

Não se esqueça porém dos famosos trocados, que na verdade são aquelas despesas pequenas e frequentes, que no acumulado de certo período oneram o orçamento pessoal.

A análise pelo lado da receita também é uma forma alternativa para o reequilíbrio financeiro. Analisar se há oportunidades ou formas de se elevar a geração de ganhos ajudam na retomada da saúde financeira.

É obvio que tudo dependerá das condições financeiras de cada um, obedecendo sempre o seu orçamento, tomando pé de cada situação. Para isso, necessitamos ter conhecimento de nosso status. Já escutei de várias pessoas que preferem não ter noção dos valores que recebem e que gastam, pois tudo no final das contas se resolve com o cheque especial. Este absurdo faz apenas acentuar o desequilíbrio financeiro.

Um ponto que também observo é a forma como muitos autônomos/profissionais liberais se atrapalham na hora de ajustar as finanças. A teoria diz que um emaranhado de planilhas e orçamentos com previsões miraculosas resolveria o problema. Ela não está totalmente errada, mas na prática as dificuldades são grandes.

Assim como temos perfis diferentes, atividades econômicas diferentes, a condução da vida financeira também diverge de indivíduo para indivíduo. Ser organizado no trabalho, cumprir seus horários não significa que a pessoa possua o mesmo nível de organização em sua rotina financeira pessoal. A tendência é que sim, mas nem sempre se observa tal comportamento.

Retornando aos profissionais liberais, principalmente aqueles que não possuem habilidades numéricas e de controle, a sugestão é que se execute a simples separação das contas correntes, criando em bancos diferentes, uma conta pessoal, e em outra, movimente-se a conta "profissional". Isto é a maneira mais simples, mesmo grosseira, de se separar a vida pessoal da profissional no âmbito financeiro.

Obviamente que a operacionalização disso deve ocorre de forma que as despesas pessoais sejam sacadas da conta pessoal, e as profissionais, ligadas a outra conta. Sugiro ainda que ao final do mês, retire-se um "pro labore" que remunere o profissional, sendo este sempre preferencialmente fixo, evitando que a flexibilidade das retiradas torne o orçamento pessoal elástico demais.

O esvaziamento da "conta profissional" impossibilita a capitalização e a utilização deste dinheiro para novas oportunidades de negócio, ou até mesmo impeça o investimento em cursos de atualização.

Vive-se na medida que se ganha, e não ganhamos na medida que se vive. Esta frase, de autor desconhecido, remonta a tempos antigos, resume bem um dos pilares da vida financeira saudável, de sempre gastarmos aquilo que podemos.

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