Xerife dos mercados

A Bolsa brasileira consegue ser, disparada, a pior do mundo em termos de rentabilidade, e essa circunstância não pode ser entendida, exceto pela absoluta ausência de fiscalização, supervisão e punição de práticas de risco e desproteção aos minoritários

A situação atual do mercado financeiro brasileiro como um todo é preocupante, em particular aquele de ações, cujas aberturas de capitais anos atrás, presumidamente, consagraram algum sucesso.

No entanto, a Bolsa brasileira consegue ser, disparada, a pior do mundo em termos de rentabilidade, e essa circunstância não pode ser entendida, exceto pela absoluta ausência de fiscalização, supervisão e punição de práticas de risco e desproteção aos minoritários.

Falta bem a figura do xerife que, ao menor sinal de desconfiança, pede informações, suspende as operações e aplica rigorosas e pesadas multas para não estimular que se transforme numa loteria ou casino.

A forte injeção de recursos vinda de fora, sobretudo por meio de fundos, não foi ruim, o pior é que perdemos escala e involuímos na depreciação dos papeis de forma inadmissível.

O pregão que batia, no começo do ano, 70 mil pontos, devolveu e agora chega, de forma assustadora, a 45 mil pontos, com o efeito manada, de muitos saírem e poucos voltarem a comprar, sem regras de segurança, discernimento e o pior dos mundos, grandes empresas do passado hoje são incógnitas e dúvidas frequentes.

A par da desabrida intervenção do Estado fazendo com que os papeis das estatais fossem recuando sistematicamente, ainda existem empresas que lançam verdadeiros micos e tentam fazer fortuna com abertura, lançamentos, debêntures e quaisquer espécies de negócios, os quais possam alavancar os ganhos dos seus administradores.

O tempo é de recompra para que as companhias não percam credibilidade e consistência, mas o fundamental é saber o papel do xerife dos mercados, no aspecto preventivo e repressivo.

E, no Brasil, apesar dos avanços, não há uma rotina, de modo sistemático, para a informação plena, full disclousure, de sorte que continuam pipocando práticas adversas ao sistema do mercado e antagônicas com a rentabilidade dos papéis.

Dessa forma, enquanto não despertar o xerife para sua função e souber aplicar sanções de caráter profilático, os acionistas e demais investidores continuarão pagando o preço elevado e salgado de negócios, no mínimo, duvidosos.

Não se fazem possíveis gangorras, com subidas e descidas artificiais de preços, sabemos que papéis tóxicos contaminam todo o mercado e as expectativas são cada vez menos otimistas.

Naquilo que se acreditava incólume à crise, ela se abateu de forma candente e extremamente voraz, arrastando para o fundo do poço o denominado viés da volatilidade e da falta de ação conjunta das autoridades do mercado, as quais, ao lado da fiscalização, tem o dever ético e moral de higienizar práticas as quais atentem contra a segurança das operações.

O encolhimento drástico do mercado de capitais na atual conjuntura, somado ao endividamento público e produção industrial capenga, tudo isso coloca em alerta as autoridades e faz acender o farol amarelo no qual os que passaram não querem mais avançar e os que ficaram não sabem ainda quanto terão que recuar.

Uma triste realidade forjada pela propaganda, mídia e desprovida da ação do xerife, cuja missão é justamente de evitar danos individuais, coletivos e difusos aos investidores e acionistas, hoje perplexos com as artimanhas que, a cada dia, surgem numa economia engessada, num momento encalacrado de dúvidas e, acima de tudo, desrevestido da governança corporativa.

 

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