Ângelo Duarte, do Banco Central, tira suas dúvidas sobre Pix

O chefe do Departamento de Competição do Banco Central, Ângelo Duarte, esclareceu à TV 247 as principais dúvidas sobre o Pix, o novo meio de pagamento oferecido pelos bancos brasileiros a partir de 3 de novembro e que “estará disponível 24 horas por dia, sete dias por semana e nos 365 dias do ano”. Assista

Ângelo Duarte
Ângelo Duarte (Foto: Reprodução | Divulgação)
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247 - O chefe do Departamento de Competição do Banco Central, Ângelo Duarte, em entrevista à TV 247, tirou dúvidas sobre o novo meio de pagamento disponível nos bancos brasileiros a partir de 3 de novembro.

“O Pix é uma nova forma de fazer pagamentos que vai ser disponibilizada para os brasileiros, e é uma forma bastante fácil, rápida e inovadora”, disse Duarte, esclarecendo ainda que “ao contrário de outras formas de pagamento, ele estará disponível 24 horas por dia, sete dias por semana e nos 365 dias do ano”.

Umas das principais características do Pix, segundo Ângelo Duarte, é a velocidade com que as transferências financeiras serão realizadas: em questão de segundos o dinheiro transferido pelo pagador já estará na conta do recebedor. “Isso significa que se você é um recebedor, uma pequena empresa ou mesmo uma pessoa, os recursos já estão disponíveis para você imediatamente”.

O chefe de departamento do BC diz ainda que o sistema é mais seguro do que as modalidades de pagamento atualmente disponíveis. “O Pix é um sistema completamente novo e o desenvolvimento pelo Banco Central começou do zero. Ou seja, você não tem sistemas legados que você tem que ir adaptando, isso possibilita a inclusão de ferramentas bastante avançadas de segurança. O que o Pix tem para demonstrar que é mais seguro do que os outros meios é que nele as instituições vão ficar analisando online as transações e, se elas perceberem que está tendo um movimento anormal naquela conta, se for incompatível aquela movimentação com aquele cliente, elas podem simplesmente bloquear as transações, porque existe ali uma suspeita de fraude. Tanto a  instituição do pagador quanto a do recebedor podem atuar junto ali àquelas contas para não permitir transações, não só por suspeita de fraude, mas como por exemplo de lavagem de dinheiro. Todo o aparato de prevenção à lavagem de dinheiro, que é uma coisa regulada pelo Coaf, como também todo o aparato de fraudes, eles continuam os mesmos. No Pix, como você tem dispositivos de segurança mais avançados, a probabilidade de fraude vai ser menor”.

Duarte explicou que o Pix permitirá que o cliente adicione um “apelido” para sua conta, ou seja, uma chave que poderá ser passada pelo cliente que quer receber um pagamento. “Ele permite que as pessoas e as empresas criem um apelido para suas contas. Com esse apelido vai ficar muito mais fácil. Se eu fosse fazer uma transferência para você normalmente, eu teria que primeiro pegar essas informações com você e depois inseri-las no meu aplicativo: qual é o seu banco, qual o número do banco, o número da agência, o número da conta, o seu CPF. Com o Pix você dá o apelido, que a gente chama de chave, e você vai simplesmente dar para mim esse apelido. A partir daí eu vou fazer o pagamento só a partir desse apelido. O apelido pode ser seu e-mail, pode ser o número do seu celular, pode ser seu CPF, no caso de pessoas de pessoa jurídica o CNPJ”.

Ele também esclareceu que as chaves escolhidos pelo usuário serão as mesmas ainda que o cliente mude de banco. “Uma outra facilidade é que se você mudar de banco, você está em uma instituição ‘A’, está insatisfeito com ela, a ‘B’ fez uma oferta melhor para ter melhores serviços, você vai para a ‘B’ e leva a chave, é como o telefone celular. Você muda de operadora e leva o número. Você não vai mais precisar me informar que você mudou de banco, a chave continua e se eu fizer um depósito depois que você fizer a mudança automaticamente já vai para a sua nova conta”.

O representante do BC também falou que meios de pagamento atualmente disponíveis, como TED e DOC, por exemplo, continuarão funcionando após a implementação do Pix. Sobre os rumores de que o papel-moeda seria deixado de lado com o surgimento da nova tecnologia, Duarte disse que “o Pix não vai acabar com nenhum meio de pagamento. O objetivo é criar mais um instrumento de pagamento”.

O Pix não poderá ser usado, ao menos por enquanto, para fazer compras parceladas, como no cartão de crédito. “No caso do Pix a gente só tem a funcionalidade de agendar [a transferência] para o futuro, mas a gente não tem esse esquema de parcelamento”.

Inscreva-se na TV 247 e assista à entrevista com Ângelo Duarte na íntegra:

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