Ativismo racial e LGBT é fundamental no processo de desconstrução da identidade colonizadora, escravocrata e opressora

A importância das políticas afirmativas e inclusivas, uma das pautas mais destacadas nos governos do PT, é considerada por Vanessa Mulet, representantes do ativismo preto e LGBT, uma peça chave nesse processo

Vanessa Mulet e Indianarae Siqueira
Vanessa Mulet e Indianarae Siqueira (Foto: Reprodução)
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Por Nêggo Tom - Vanessa Mulet e Indianarae Siqueira, representantes do ativismo preto e LGBT respectivamente, falaram um pouco sobre as pautas e as lutas de suas frentes, no programa “Um Tom de Resistência” desta semana, apresentado por Ricardo Nêggo Tom na TV 247. 

Diretora de formação política da Frente Negra Gaúcha, uma organização da sociedade civil, suprapartidária e de desenvolvimento educacional, social, cultural e econômico da população preta e periférica do Rio Grande do Sul, Vanessa Mulet destacou a importância da educação para conscientizar os moradores das comunidades. “Nosso projeto é uma alternativa para desenvolver as comunidades da periferia, nos aspectos sociais e econômicos, com a proposta de diminuir a desigualdade social e étnica com um espírito de solidariedade”, definiu.

A importância das políticas afirmativas e inclusivas, uma das pautas mais destacadas nos governos do PT, é considerada por Vanessa uma peça chave nesse processo. “Nós estamos em época de eleição municipal e estamos desenvolvendo um grupo de projetos para conversar com os potenciais candidatos, sobre a criação de políticas públicas para a causa preta” - disse ela - destacando ainda, que a Frente Negra Gaúcha pretende formar a sua própria base política no futuro. “Nós oferecemos internamente para os nossos membros, seminários de formação política, formações que são abertas na redes sociais, a fim de preparar as pessoas para combater esse racismo estrutural estabelecido”

Seguindo o ativismo social inclusivo, Indianarae Siqueira, mulher trans e fundadora da Casa Nem no Rio de Janeiro, falou sobre o seu projeto de acolhimento a travestis e transexuais em condições de vulnerabilidade. “A Casa Nem foi fundada em 2016 e é um desdobramento do “Prepara Nem”, que é um pré vestibular que surgiu em 2015, para inclusão de travestis e transexuais nas Universidades, como uma alternativa mais acolhedora e que respeitasse a identidade de gênero dessas pessoas, sem lhes causar constrangimento.” - explicou Indianarae.

Atualmente, a Casa Nem, cuja finalidade principal é o acolhimento de transexuais, muitos em condição de rua por terem sido expulsos de casa por familiares em função de sua orientação sexual, passou por um processo de reintegração de posse do local onde o projeto estava abrigado. No local, também são desenvolvidas outras atividades como cursos de modelagem e corte e costura, áudio visual e aulas de culinária, além de oferecer acompanhamento psicoterapêutico para os seus agregados. Ao falar sobre a atual situação da instituição, Indianarae desabafou:

- Como se já não bastasse os ataques e a violência que já sofremos, por conta do preconceito da sociedade, a Polícia Militar invadiu o local com uma denúncia que nós havíamos invadido o colégio onde estamos alojados, me levou para a delegacia e queriam me indiciar por invasão de espaço público e por desobediência civil.

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