Bia Vargas, sobre sua chapa ser acusada de 'racismo reverso' por destacar presença negra: "Nada que já não estivesse preparada"

Candidata também falou sobre candidatos brancos que se autodeclaram como pretos ou pardos, como ACM Neto: "Algo que tenta reparar vira atalho para sempre cair nas mãos dos mesmos"

www.brasil247.com - Décio Lima e Bia Vargas
Décio Lima e Bia Vargas (Foto: Reprodução/Facebook)


247 - Em entrevista à TV 247, a candidata a vice-governadora de Santa Catarina na chapa de Décio Lima (PT), Bia Vargas, falou sobre o caso ocorrido na última semana, em que Décio foi acusado de cometer 'racismo reverso' por destacar em sua campanha que sua vice é uma mulher negra: "Nada que uma pessoa negra quando se coloca numa posição de destaque já não estivesse preparada. É algo que eu saberia que em algum momento poderia vir. Estamos acostumados com isso desde o princípio."

Bia, no entanto, mostrou-se esperançosa ao ver o apoio que recebeu após a viralização do ocorrido: "A reação das pessoas e a comoção me dá um ponta de esperança de saber que nós realmente estamos vivendo um outro momento enquanto sociedade, em que a consciência está se ampliando, embora a gente ainda encontre pessoas que ainda acreditam na possibilidade de um racismo reverso."

A candidata a vice-governadora também comentou a recente polêmica sobre candidatos brancos que se autodeclararam como pretos ou pardos, como ACM Neto (União), candidato a governador da Bahia. Tal estratégia vem sendo usada para burlar o fundo eleitoral e angariar mais verbas a seus partidos, sendo que o benefício originalmente foi criado com o intuito de aumentar a representatividade negra no legislativo.

"É fundamental que a gente tenha, enquanto minoria nos espaços de poder, garantias de acesso. O fundo partidário é fundamental para que isso aconteça. Antes de me tornar candidata a vice- governadora, eu estava como pré candidata a deputada federal. E desde o início que aceitei esse desafio, percebi que a corrida eleitoral para candidatura desse perfil não é do mesmo jeito que acontece com as outras. Só é possível ter a visibilidade de chegada se tiver estrutura", afirmou Bia ao iniciar o argumento.

"A gente precisa de um letramento racial urgente para que as pessoas de fato entendam que ter um avô negro não te coloca como uma pessoas negra. O que vemos com ACM Neto e essa escalada de pessoas que se autodeclaram pardos é o mais do mesmo. São brechas que a lei brasileira acabam permitindo que o que tenta reparar acaba se transformando em um atalho para que sempre caia nas mãos dos mesmos. Sou uma candidata negra, sou uma mulher e dentro do partido eu sou a única candidata que não recebi o repasse do fundo", lamentou.

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