Gleisi: antes de discutir vice para Lula, PT vai construir programa com aliados para 2022

“Não há nenhuma conversa formal sobre isso, nenhuma conversa dos partidos sobre isso nem tampouco Lula tratou desse assunto. O fato de ele conversar com o Alckmin não foi para tratar de ele ser vice”, explicou a deputada federal Gleisi Hoffmann, presidenta do PT

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(Foto: Reprodução | Ricardo Stuckert/Instituto Lula)


247 - A presidenta do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann, em entrevista à TV 247, nesta quinta-feira, 2, destacou que, antes de discutir um vice para o ex-presidente Lula (PT) nas eleições de 2022, o partido está estabelecendo alianças eleitorais. Segundo ela, ainda não existe hoje nenhuma discussão sobre o assunto dentro do PT.

“Não há nenhuma discussão no partido sobre candidatura a vice para Lula. Até porque nem o presidente Lula decidiu formalizar sua candidatura ainda, disse que só vai fazer isso em março”, afirmou. 

“O candidato a vice-presidente vai ser resultado do processo político e da nossa capacidade de construir essas alianças. Estamos conversando com o PSB, PCdoB, PSOL, vamos conversar com outros partidos, e isso tudo tem que ser considerado numa composição de chapa”, completou.

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“O próprio Lula brinca que ele já está no 23º ou 24º vice que elencam para ele. Essa questão do Alckmin acabou gerando muito burburinho, porque sempre fomos adversários políticos, mas, como disse Lula, adversários com muito respeito”, reforçou, lembrando que o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) é apenas mais um.

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“Mas quero dizer que não há nenhuma conversa formal sobre isso, nenhuma conversa dos partidos sobre isso nem tampouco Lula tratou desse assunto. O fato de ele conversar com o Alckmin não foi para tratar de ele ser vice.”

A deputada também desmentiu boatos de que haveria alguma tentativa do PT de influenciar em uma possível filiação de Alckmin ao PSB. “Outra coisa que é importante dizer é que não há nenhum condicionamento do PT ao PSB, para filiar Alckmin ao PSB ou pedindo Alckmin de vice. Não há. O PT não está pedindo isso, nunca pediu isso, nem Lula pediu isso. É importante que fique claro. Se Alckmin se filiar ao PSB, vai ser uma decisão dele e do PSB”, frisou.

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Programa com o povo no orçamento

A deputada deixou claro que, no momento, o mais importante é a construção de um programa a ser apresentado ao Brasil. “O que é importante é a centralidade programática que nós vamos ter. Não é nem tanto o nome do vice, mas o programa que vamos apresentar ao país. E isso tem que estar muito claro entre as forças que vão compor esse processo”, disse. 

“E nossa centralidade é o povo no orçamento, ou seja, nós precisamos dar emprego, dar renda, dar condições para esse povo viver. Isso pressupõe um grande programa de investimento no país, grandes programas sociais de proteção, um Estado forte. Sem Estado forte, o Brasil não sai desta crise”, acrescentou a presidenta do PT.

Gleisi ressaltou ainda que a direita não tem projeto para o país. “O debate sobre propostas, sobre projetos de país, saiu. Você pode ver que Bolsonaro não tem projeto de país, Moro não tem projeto de país. O que eles dizem sobre projeto de país? Eles não têm. Têm uma carga de ódio, de mentira, que eles ficam o tempo inteiro destilando para tentar influenciar as pessoas, com participação de parte da mídia e da elite. Vai ser uma eleição muito dura, muito pesada”, analisou. 

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“Tudo que pudermos aglutinar contra essa forma de fazer política, esse autoritarismo, o ódio e a mentira e a desconstrução do país, nós temos que fazer”, defendeu.

Federação de partidos

Por isso, de acordo com Gleisi, existe a possibilidade de formação de uma federação de partidos, frente que agrega legendas por meio de um programa mínimo e de um estatuto para a atuação unificada e nacional por quatro anos.

“A federação, além de uma unidade programática, pode potencializar a eleição de uma bancada maior do nosso campo no Congresso Nacional, o que nos ajudaria muito nas negociações e na atuação do Parlamento”, avaliou Gleisi. A federação partidária exige a busca contínua da unidade. Com ela, poderemos aumentar em mais de 25% nossa bancada”, projetou.

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“A federação mudará a forma como nos relacionamos com as outras forças e deixará nítido um campo de esquerda e centro-esquerda e pode representar para nós o que a Frente Ampla representa no Uruguai”, destacou.

A Frente Ampla uruguaia existe desde 1971, integrada por vários partidos e organizações da sociedade civil. Foi fundada em 5 de fevereiro de 1971 na tentativa de eleger Líber Seregni à presidência da República. Com o golpe militar de 1973 foi colocada na ilegalidade e reprimida. A Frente Ampla elegeu Tabaré Vázquez em 2005, Pepe Mujica em 2010 e novamente Vázquez em 2015. Em 2020, a direita venceu a eleição. Hoje, são 15 partidos e movimentos que compõem a frente. Entre eles, o Movimiento de Participación Popular, de Pepe Mujica, o Partido Socialista, o Partido Comunista, o Partido por la Victoria del Pueblo.

“Se no futuro houver uma aliança com o PSB, é possível que eles possam indicar sim o vice. Me parece algo natural, pelo tamanho do PSB”, disse a petista.

Gleisi ainda disse que o ingresso do PDT numa possível federação partidária de centro-esquerda tem um entrave que é a candidatura presidencial de Ciro Gomes. “A federação só pode ter um candidato a presidente e é um consenso que esse nome é o de Lula”, afirmou.

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