Juliane Furno rebate dados da Folha sobre aumento do gasto público: “não foi o gasto que aumentou, foi a arrecadação que caiu”

Reportagem da Folha afirma que o Brasil é o país que mais expandiu gasto público em uma década, o que foi desmentido pela economista Juliane Furno. Assista na TV 247

Juliane Furno
Juliane Furno (Foto: Imprensa SMetal)
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247 - A economista Juliane Furno explicou à TV 247 as razões pelas quais está equivocada a pesquisa do jornal Folha de S. Paulo divulgada no sábado (10) intitulada “Brasil é o país que mais expandiu gasto público em uma década”.Juliane conta que o dado não é verídico, de acordo com estudo de profissionais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, e que o Brasil ocupa a 9° colocação dentre os países que mais avançaram na relação gasto público/PIB.

Em relação ao mito da alta carga tributária que recai sobre os brasileiros, a economista explica que não há como sustentar um universo de serviços oferecidos pelo Brasil sem o recolhimento de impostos mais elevado, ainda que estes números estejam abaixo dos registrados por países desenvolvidos. “Muita gente olha para a carga tributária do Brasil e acha que o Brasil tem uma carga tributária muito elevada, já devem ter ouvido falar que no Brasil se paga muito imposto. Aí você vai ver a carga tributária brasileira, ou seja, o que a gente recolhe de impostos no Brasil, e chega na cifra de 32% ou 33% do PIB. Isso é um pouco menor que a média dos principais países desenvolvidos do mundo, os países da OCDE, que recolhem mais ou menos 35% do PIB em tributação. Alguns, como a Dinamarca e Noruega, recolhem 50% do PIB em tributação. E o que eles dizem? Que o Brasil até pode estar na média dos países da OCDE, mas ele está longe da média dos países de renda média parecida com a do Brasil. Ou seja, na América Latina o Brasil é o país que mais tributa”.

“Acontece que é impossível ter um sistema público e universal de saúde, de educação básica e de seguridade social que o Brasil tem com a tributação que o Chile tem, que não oferece nenhum desses serviços. Obviamente o Brasil vai ter uma carga tributária mais elevada, mas ela está completamente condizente com o tipo de acordo democrático que a gente selou na Constituição de 88 e que garantiu saúde, educação e todos os benefícios da seguridade social”, completou.

Juliane aponta ainda um erro metodológico da Folha, que comparou dois períodos do suposto crescimento do gasto público sem considerar que a forma como o Tesouro Nacional contabiliza essas despesas foi alterada. “A pesquisa da Folha tem um erro metodológico. Ela junta duas séries históricas que o Tesouro Nacional tem e que usam metodologias diferentes. Ou seja, a comparação de 2008 a 2013 pode ser feita, mas a de 2013 a 2018, quando o Tesouro modifica a forma de contabilidade das contas públicas, precisaria ser ajustada, e a Folha de S. Paulo não fez isso”.

Por fim, a economista diz que não é verdade que o gasto público brasileiro aumentou de 2011 a 2016. Segundo Juliane, a relação gasto/PIB evidencia que o gasto público teve um salto, mas a realidade é que a arrecadação, o PIB, diminuiu, o que faz parecer que o Estado aumentou suas despesas. “A Folha não só erra quando vincula séries históricas que não têm correspondência como omite que na verdade a despesa primária, o gasto público do Estado, não cresceu e desacelerou entre 2011 e 2016. Ela pega a média geral, mas de 2011 a 2016 o gasto público no Brasil foi menor que no período anterior. Ou seja, se no período anterior, de 2003 a 2013, a gente gastava 100, de 2011 a 2016 a gente passou a gastar 80. O gasto público desacelerou. Acontece que o gasto público é uma relação, uma razão em relação ao PIB. Então nominalmente ele partiu de 100 para 80, ele decresceu em termos absolutos, mas ele cresceu na proporção do gasto ao PIB porque o PIB diminuiu, ou seja, o denominador importa nessa conta. Não foi o gasto que aumentou nesse período, foi a arrecadação que caiu”, explica.

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