‘Negros foram fundamentais na construção da educação; hoje não têm mais espaço’, afirma professor da Unesp

“A presença dos negros no sistema educacional era relativamente grande no período de transição do trabalho escravizado para o trabalho livre. Com o passar do tempo, e com a política da eugenia, é que a população negra foi perdendo espaço”, disse à TV 247 o professor Juarez Xavier. Assista

Juarez Xavier e Antonieta de Barros
Juarez Xavier e Antonieta de Barros (Foto: Divulgação)
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247 - O professor do curso de Jornalismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Juarez Xavier repercutiu na TV 247 a história de Antonieta de Barros, feminista e primeira parlamentar negra, responsável pela celebração do Dia dos Professores, comemorado em 15 de outubro.

Xavier contou que a população negra ao redor do mundo foi protagonista na luta pela educação, sendo que no período seguinte à abolição da escravidão os negros eram boa parte dos que lecionavam. “A população negra ao sair do trabalho escravizado tinha na educação um foco muito importante das suas ações, foi assim nos Estados Unidos. O período de Reconstrução dos EUA, o breve período de Reconstrução pós-abolição e antes da adoção das políticas de Jim Crow, mostraram a eficiência da educação no processo de emancipação da população negra. No Brasil há uma tentativa bem-sucedida de bloquear o acesso do negro à educação, mas as organizações já discutiam essa necessidade. Você pega um pouco das críticas que o próprio Lima Barreto fazia na década de 1910 sobre a necessidade dos negros estarem na educação, mostrava um pouco isso. Marcou a vida política. Por exemplo, na África do Sul sempre discutiram fortemente a necessidade da educação, a ação política contra os estudantes da África do Sul teve um pouco essa intenção, os Panteras Negras trouxeram o debate da educação, o Movimento Negro Unificado contra a discriminação racial em 1978 traz também a questão da educação. É interessante isso”. 

“Há um tempo eu li uma pesquisa de que a presença dos negros no sistema educacional era relativamente grande, com professores na educação, isso no período de transição do trabalho escravizado para o trabalho livre. Com o passar do tempo, e com a política da eugenia e essa tentativa de embranquecimento adotada em áreas de visibilidade e de formação, é que a população negra foi perdendo espaço na educação, até chegar à situação que nós temos hoje”, completou.

Para o professor, a Fundação Cultural Palmares, hoje sob o comando do negacionista Sérgio Camargo, precisa reconhecer e destacar mais a figura de Antonieta de Barros por tudo que representa: a luta pela educação, pelos direitos das mulheres e pelo povo negro. “Se não fosse a situação que nós enfrentamos hoje na Fundação Cultural Palmares, de estar sob intervenção de uma política anticivilizacional, talvez nós teríamos uma ação nacional muito mais significativa, mostrando quem de fato foi essa mulher, a importância que ela teve no debate político da sua época, a posição vanguardista que ela assumiu em determinados momentos nos debates políticos, e talvez nós teríamos uma projeção maior da figura dessa mulher, dessa importante ativista política negra”, destacou.

Inscreva-se na TV 247 e assista à fala de Juarez Xavier na íntegra:

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