Renata Souza: “matar favelado dá voto”
Deputada do PSOL afirma que operações policiais foram usadas como plataforma eleitoral no Rio de Janeiro
247 - A deputada estadual Renata Souza (PSOL-RJ) afirmou, em entrevista ao programa Bom Dia 247, que operações policiais com elevado número de mortes em favelas do Rio de Janeiro têm sido utilizadas como instrumento de fortalecimento político por setores da direita e da extrema direita no estado. Segundo ela, o governo de Cláudio Castro consolidou essa estratégia ao transformar chacinas em discurso eleitoral.
Durante a entrevista, Renata relacionou diretamente o crescimento político de Cláudio Castro às operações policiais realizadas em comunidades da capital fluminense. A deputada citou como exemplo a chacina do Complexo da Penha e do Alemão, ocorrida em 2025, quando uma ação policial deixou dezenas de mortos. Segundo ela, o episódio foi incorporado à narrativa de segurança pública do então governador durante o processo eleitoral.
“A direita e a extrema direita já entenderam que matar pessoas nas favelas dá voto”, declarou a parlamentar.
Renata afirmou que essa prática não é recente no Rio de Janeiro e mencionou também a operação do Jacarezinho, realizada em 2021, considerada a mais letal da história do estado. Ela lembrou que integrantes do governo Cláudio Castro chegaram a utilizar referências ao número de mortos em campanhas políticas, o que, na avaliação da deputada, demonstra a instrumentalização eleitoral da violência.
Segundo a parlamentar, parte da população acaba associando grandes operações policiais a uma resposta efetiva do Estado na área de segurança pública, mesmo diante do elevado número de mortes em territórios periféricos. Ela argumenta que essa lógica reforça políticas de confronto armado nas favelas e aprofunda a crise social nessas regiões.
Renata Souza também afirmou que o modelo de segurança pública adotado no estado se sustenta em uma percepção construída politicamente ao longo dos anos. Para ela, há uma tentativa permanente de legitimar ações policiais letais como demonstração de autoridade estatal.
A deputada avaliou que os recentes escândalos envolvendo o grupo político de Cláudio Castro, incluindo investigações relacionadas ao Banco Master, denúncias sobre cargos fantasmas e a cassação do governador, podem alterar o cenário político fluminense. Segundo ela, existe hoje uma crise institucional na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e um desgaste do campo da extrema direita.
Ainda assim, Renata afirmou que setores ligados ao governo tentam manter espaços de poder e influência dentro da estrutura do Estado. Ela citou movimentações na Alerj para acelerar indicações ao Tribunal de Contas do Estado e apontou que há uma disputa interna para preservação de posições estratégicas diante das investigações em curso.
Ao analisar o cenário eleitoral do Rio de Janeiro, a deputada disse acreditar em crescimento das forças progressistas nas próximas eleições, impulsionado pelo desgaste do atual grupo político e pela insatisfação popular com os sucessivos escândalos envolvendo o governo estadual.



