Sonia Guajajara: nós somos o próprio meio ambiente e nossa luta é a defesa da mãe Terra

Deputada federal eleita defende participação do PSOL no governo Lula para atender demandas históricas do movimento indígena e da população brasileira; veja vídeo na íntegra

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Sonia Guajajara (Foto: Felipe Beltrame/Instagram)


Opera Mundi - Deputada federal eleita pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) de São Paulo, a líder indígena maranhense Sonia Guajajara defende a participação de seu partido no próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, sob o objetivo central de atender a demandas históricas dos povos indígenas e da população brasileira. 

Em entrevista ao jornalista Breno Altman no programa 20 MINUTOS desta quinta-feira (24/11), ela afirmou que a missão principal do novo Ministério dos Povos Originários será a defesa ambiental do planeta Terra. “Não tem como separar, nós somos o próprio meio ambiente e nossa luta principal é a defesa da mãe Terra. Quando se destrói a Terra, é nosso corpo que é atingido. Se o meio ambiente não é preservado é nossa própria vida que está ameaçada”, argumenta.

Os povos indígenas, segundo ela, são os principais agentes protetores do meio ambiente, e a sociedade brasileira precisa se conscientizar da relação íntima entre luta ambiental, questão climática, demarcação de terras e proteção aos direitos dos povos originários. 

“Somos apenas 5% da população mundial, mas estudos apontam que 82% da biodiversidade protegida no mundo está dentro dos nossos territórios. O nosso modo de vida por si só garante essa relação”, ilustra. A devastação incentivada e promovida pelo bolsonarismo torna mais nítidos o desequilíbrio e sua solução: “estamos agora no período de maior desmatamento no Brasil, mas apenas 1% do aumento desse desmatamento está dentro de territórios indígenas”.

A participação do PSOL no governo Lula, atualmente em discussão no partido, é defendida por Guajajara: “particularmente acho que é um novo momento e que é importante compor, sim, nesta nova gestão. Compor não é só compactuar, mas também ter oportunidade de entregar demandas históricas que sempre apresentamos”.  

O movimento indígena, tradicionalmente avesso a participar da engrenagem política, tem mudado de posicionamento e registrou, em 2022, 186 candidaturas pelo país. Guajajara, que foi candidata à vice-Presidência em 2018 na chapa psolista encabeçada por Guilherme Boulos, justifica a emergência da necessidade de constituir uma “bancada do cocar”: “percebemos que muitas mudanças estavam acontecendo rapidamente a partir do legislativo, com muitas aprovações de leis e retiradas de leis já conquistadas que retrocedem direitos indígenas e retiram direito territorial”.

Integrante da equipe de transição de Lula, a líder indígena afirma que seu grupo de trabalho elabora um relatório parcial para apresentar ao presidente eleito no final do mês, desenhando o que deve ser o novo Ministério dos Povos Originários. 

“O mais importante agora é entender para nós mesmos o papel desse Ministério, se vai ter um caráter mais de articulação ou mais executivo”, diz. Entre as diretrizes a serem definidas, está a incorporação ou não ao Ministério de Estruturas como a Fundação Nacional do Índio (Funai), hoje ligada ao Ministério da Justiça, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS), e a educação indígena, atualmente pulverizada nos governos estaduais. 

Guajajara diverge do nome a ser dado ao novo Ministério, fixado pelo presidente eleito como Ministério dos Povos Originários: “(O ex-ministro de Lula) Gilberto Carvalho deu entrevista dizendo que o estaria contemplando quilombolas, ribeirinhos, caiçaras. Temos que firmar Ministério dos Povos Indígenas, para não ter confusão ou o equívoco de achar que ali vai estar tudo”. 

Ela define como prioridades do futuro Ministério combater a violência contra indígenas e a exploração ilegal de minério e madeira e garantir a segurança dos povos indígenas dentro do seus territórios. “Nossa maior bandeira de luta continua sendo a demarcação dos territórios indígenas. Pela Apib (Articulação dos Povos da Floresta) fizemos um levantamento de cinco territórios que estão com estudos já totalmente concluídos. Seria importante estar dentro das prioridades dos cem primeiros dias do governo Lula”, reivindica. 

De modo geral, o passo a ser dado significará a adoção das crises ambiental e climática como agenda de Estado e a substituição do tradicional paternalismo pelo protagonismo político dos povos originários, pela primeira vez na história do Brasil.

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