Vera Lúcia: PSTU no governo estatizará as 100 maiores empresas do Brasil sem indenização

Medida incluirá bancos, agronegócio e empresas privadas de saúde e habitação, afirma candidata à Presidência pelo partido; veja vídeo na íntegra

www.brasil247.com - Candidata à presidência da república pelo PSTU, Vera Lúcia Salgado
Candidata à presidência da república pelo PSTU, Vera Lúcia Salgado (Foto: Gustavo Conde)


Por Pedro Alexandre Sanches, do Opera Mundi - Candidata à Presidência do Brasil pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), a cientista social pernambucana Vera Lúcia promete que estatizará, sem conceder indenizações, as 100 maiores empresas do Brasil, incluindo bancos, agronegócio e grandes redes privadas de saúde e habitação.

A medida incidirá também sobre portos, aeroportos, rodovias, ferrovias e empresas de água e saneamento. 

Em entrevista ao jornalista Breno Altman no 20 MINUTOS desta sexta-feira (23/09), a postulante afirmou que a reparação histórica das populações originárias e afrodescendentes se dará pela devolução de terras indígenas e pela titulação de territórios quilombolas. “A gente agradece muito as cotas, mas queremos mais”, diz.

Ela justifica a não-indenização de empresas capitalistas: “eles já lucraram demais. Não tem por que indenizar esse povo. Você traz uma empresa para explorar trabalhador aqui, pagar salário miserável, depois ela vai embora e não paga nada. Vamos estatizar e indenizar? Não, ela já está indenizada. Não vai morrer de fome, não vai nem ficar pobre”. 

Entre as medidas emergenciais prioritárias, caso eleita, inclui ainda dobrar o salário mínimo, revogar as reformas trabalhista e previdenciária, estimular a organização da classe trabalhadora, interromper o pagamento da dívida pública e destinar os recursos aos trabalhadores desempregados. 

“A dívida não vai mais para cinco bancos, como disse Paulo Guedes, numa crise de sinceridade, naquela fatídica reunião ministerial”, apontou. Os ministros de Estado, segundo sua proposta, passariam a ser eleitos de forma direta, por meio de conselhos populares.

Questionada por Altman sobre a inexistência de unidade eleitoral entre os partidos da esquerda revolucionária, Lúcia afirmou que a atuação conjunta deve acontecer nas ruas, e não nas candidaturas para cargos públicos. “Somos campeões em fazer unidade de ação nas manifestações, durante toda nossa existência. As mais recentes têm sido para botar para fora Bolsonaro, mas também o vice-presidente, Hamilton Mourão. Somos diferentes até nisso", disse.

Em anos recentes, o PSTU foi criticado por defender nas ruas a deposição da presidente Dilma Rousseff ao lado de setores de direita, com a diferença de que reivindicava também a queda do vice-presidente Michel Temer. Hoje, o partido se contrapõe à frente ampla organizada em torno da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, por se tratar de “um projeto rebaixado e alinhado com a direita e o 'centrão'”, nas palavras da candidata.

Lúcia argumenta que todas as instituições do Estado continuaram funcionando depois da saída de Dilma e assim seguem até hoje. “Bolsonaro tem o sonho de fechar o regime, mas ainda não fechou. Não houve mudança nos pilares que constituem o Estado democrático. As liberdades democráticas que existiam continuam existindo", defendeu.

Também controversas foram as posições do PSTU frente à Operação Lava Jato e à prisão de Lula, que inviabilizaram presença do ex-presidente na disputa presidencial em 2018. “Pode-se dizer que o julgamento foi parcial, mas não dá para dizer que não houve corrupção. Dizíamos que não confiávamos naquela operação, porque também não confiamos na própria Justiça”, diz, negando adesão ao processo conduzido pelo juiz Sergio Moro. 

Segundo ela, o PSTU desejava que Lula e Dilma fossem julgados pelas ruas. “Quem quis ser julgado pela Justiça foi o próprio Lula. Ele nunca chamou as ruas. Ele optou, e o problema é nosso, do PSTU? Como se justifica que os que votaram pela queda de Dilma estão abraçados hoje a Lula?”, questiona. 

A candidata não revela qual o rumo que o PSTU tomará num eventual segundo turno, mas afirma que, após o primeiro turno, a legenda dirá qual é sua posição e sustentará o porquê da posição, seja ela qual for. 

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