A busca de repetir uma história vergonhosa

Cabe, aos verdadeiros democratas, assumir a defesa da nossa Presidente, os que votaram e os que não votaram, porque acima de tudo, o que está em jogo é a nossa democracia ainda em consolidação e já tão ameaçada por aqueles que não a aceitam

Cabe, aos verdadeiros democratas, assumir a defesa da nossa Presidente, os que votaram e os que não votaram, porque acima de tudo, o que está em jogo é a nossa democracia ainda em consolidação e já tão ameaçada por aqueles que não a aceitam
Cabe, aos verdadeiros democratas, assumir a defesa da nossa Presidente, os que votaram e os que não votaram, porque acima de tudo, o que está em jogo é a nossa democracia ainda em consolidação e já tão ameaçada por aqueles que não a aceitam (Foto: Fatima 247)

Por Fátima Bandeira - "Como presidente, João Goulart atuou, com firmeza, no escopo da democracia política, pela efetivação de uma democracia social no Brasil. Tal orientação governamental, apesar de considerada moderada por alguns segmentos do movimento social nacionalista e reformista, trouxe real desconforto aos conservadores que com ela não concordavam. Destacaram-se entre eles: a União Democrática Nacional (UDN), setores das forças armadas, igreja católica conservadora, proprietários rurais, a maior parte do empresariado nacional e investidores internacionais. Uniram-se em forte atuação desestabilizadora de seu governo, que culminou com o golpe que o destituiu. Antes e depois do golpe de 1964 não foram poucas as iniciativas que provocaram e induziram à desqualificação do presidente João Goulart e de sua trajetória política". (in: O Governo João Goulart e o golpe de 1964: memória, história e historiografia/Lucilia de Almeida Neves Delgado/ Professora titular do Departamento de História da PUC/MG, professora do Departamento de História da UFMG  e Pesquisadora Colaboradora Sênior da UNB)

O texto acima poderia perfeitamente ilustrar o atual momento político brasileiro, na conjuntura enfrentada pela Presidente Dilma Rousseff. Chama a atenção, de imediato, a constatação que os setores responsáveis pelo golpe são os mesmos que hoje atuam na oposição ao atual governo. Trocando-se, é claro, a UDN, pelo PSDB/DEM/PPS e setores do PMDB, identificados com a ideologia conservadora e de direita.

A Presidente Dilma, uma lutadora pela democracia e justiça social, representa tudo que esse setor social abomina, inclusive, pela sua história de enfrentamento com a ditadura militar, por eles apoiada. Desde que o Partido dos Trabalhadores chegou à Presidência da República, o mal estar tomou conta desses setores. Tentaram se organizar para derrotar o ex presidente Lula, com a montagem da Ação Penal 470, chamada por eles de "mensalão". Não conseguiram. Lula se reelegeu e elegeu sua sucessora, que por sua vez, se reelegeu também. As condições políticas e econômicas eram diferentes.

Agora, com os ajustes necessários à economia, diante da conjuntura internacional, viram ser o momento de mais uma investida. Se organizam, com o apoio da mídia que também ajudou abertamente para a realização do golpe de 64, para nova tentativa. Me recordo da "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", um movimento financiado e instrumentalizado pela elite empresarial-militar que derrubou João Goulart (http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/34445/golpe+de+64+marcha+da+familia+com+deus+pela+liberdade+completa+50+anos+saiba+quem+a+financiou+e+dirigiu.shtml).

É o que acontece agora com as manifestações que estão sendo orquestradas para o dia 15 de março - IMPEACHMENT JÁ!!!

No Ceará, a pessoa que se apresenta como organizador é um empresário. Nada mais óbvio. Ainda bem que o humor cearense o transformou em "Impitiman é meuzovo"

Mas afora o nosso espírito moleque, é preciso que estejamos atentos ao momento para não permitirmos que se dêem as condições para a volta do obscurantismo, marca predominante dos regimes ditatoriais, que conseguimos expurgar, com o sacrifício de muitas vidas e com a luta de muitos mais.

Cabe, aos verdadeiros democratas, assumir a defesa da nossa Presidente, os que votaram e os que não votaram, porque acima de tudo, o que está em jogo é a nossa democracia ainda em consolidação e já tão ameaçada por aqueles que não a aceitam.

A disputa deve se dar nas eleições livres onde os diferentes projetos são julgados pela população e aquele que for capaz de envolver mentes e corações, será o vencedor, respeitado por todos. Se não gostamos das regras, vamos debater e defender a Reforma Política com ampla participação popular, para que nosso sistema eleitoral seja mais representativo e legitimado.

Oposição sempre haverá e deverá haver, para o bem da própria democracia. A independência dos poderes também. O combate à corrupção, praga entranhada na história da política brasileira, deve ser uma luta de todos. Mas, nada justifica a defesa de um golpe de estado, como querem àqueles que estão comandando esse movimento de afronta à soberania do voto da maioria do povo brasileiro.

Todos em defesa da DEMOCRACIA!

 

 

 

 

 

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