Abraço apertado. Os benefícios do toque sincero e carinhoso

Na “calinothérapie” (terapia dos abraços), Céline Rivière, psicóloga clínica, analisa o abraço como um dos avanços científicos nas neurociências e na genética

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Por Jean-Luc Nothias

O abraço está na moda. Os «free hugs» (abraços gratuitos) nos bares de abraços, animais podendo ser abraçados em hospitais ou lares de terceira idade, a volta em grande estilo dos abraços nos livros e nos filmes, tudo é uma desculpa para dar e receber abraços. Céline Rivière, psicóloga clínica, sugere, com um entusiasmo comovente no seu livro La Câlinothérapie, torná-la uma regra de vida para se sentir bem em todas as circunstâncias e «ativar nossos próprios mecanismos de saúde».

A originalidade de sua abordagem é considerar o abraço à luz de alguns avanços científicos recentes em neurociência e na genética. Mas cuidado, não abuse: Céline Rivière avalia que oito a dez abraços por dia são necessários para o nosso bem estar. «Os abraços em si são uma terapia, pois eles mudam nossa maneira de ser, nosso olhar sobre o mundo e sobre nós mesmos », ela escreveu. Especialmente, o toque, as massagens e os abraços desencadeariam a produção de ocitocina, muitas vezes denominada um tanto impropriamente, «hormônio da felicidade » ou «néctar de cura». A ocitocina está no centro do parto e da amamentação, e ela está presente tanto em mulheres como em homens. Pesquisas mostraram que ela também está envolvida nos estados de confiança em relação aos outros, no compromisso de uma pessoa perante a outra e que sua produção era aumentada por estímulos agradáveis. Ela estaria no nível da paz e da tranquilidade ao passo que a adrenalina estaria no nível do estresse. A ocitocina combate também a taxa de cortisol, denominada também «hormônio do estresse».

A linguagem da pele

Outro fator positivo no abraço é o sentido do toque, que passa pela «linguagem da pele ». E é verdade que a epiderme é sensível e que ela pode ser o espelho de nossas emoções, transmitindo informações e reações por todo o organismo. No que diz respeito ao coração, Céline Rivière insiste sobre o fato de que «o coração tem um lugar especial no nosso sistema emocional». Ele também tem um «cérebro» próprio, um conjunto de neurônios que lhe são próprios. Os impactos dos abraços (de ordem não sexual) têm um efeito calmante significativo sobre a frequência cardíaca e na pressão arterial.

Céline Rivière fala claramente, e com certa dose de felicidade, dos neurônios-espelho, da epigenética, da plasticidade cerebral… Em apoio à sua tese, ela destaca o exemplo de uma mulher indiana, Amma (mãe em hindi). Ela tornou-se uma figura espiritual contemporânea da Índia e é a fundadora da ONG Embracing the World. Vinda do nada, ela hoje viaja pelo mundo inteiro para abraçar todos aqueles que querem ou sentem essa necessidade. «Com seus abraços, ela transmite o que está registrado nas profundezas de sua alma: um amor incondicional e total.» Não há mal nenhum em fazer o bem ou sentir-se bem. De acordo com os votos de Céline Rivière, sua obra em si é um abraço reconfortante, apropriado para a reflexão. Quando um medicamento-abraço vai ser lançado? Nunca, como seria de esperar…

Os cinco benefícios subestimados da carícia

Por Nicolas Basse 

O dia 21 de janeiro na França, é o dia do abraço. A tão sonhada oportunidade de falar sobre este gesto que mistura o abraço e o afago. Do efeito anti-estresse à luta contra doenças e o vício, eis todas as virtudes do abraço finalmente reveladas. 

Sejam zen e solidários

Inventado pelo reverendo Kevin Zaborney nos Estados Unidos em 1986, o dia do abraço se espalhou pelo mundo inteiro, com inúmeras adaptações, tal como o surgimento de cartazes free hugs (abraços gratuitos) na Austrália em 2004. Particularmente desenvolvido nos países  anglo-saxônicos, o abraço no meio da rua e com desconhecidos, tem dificuldade para se espalhar na França. Uma pena, quando conhecemos todos os seus benefícios! Gérard Leleu, médico, psicoterapeuta e sexólogo (1), nos revela alguns deles.

1 – Um antiestresse reconhecido

Preocupado, ansioso? Um abraço é uma das soluções para se aliviar a pressão uma vez que ele reduz a tensão arterial e a frequência cardíaca. «O contato humano com ternura ajuda a reduzir significativamente o estresse e a relaxar, graças à produção de endorfinas em grandes quantidades. Um abraço vale por todos os medicamentos leves para lutar contra o estresse no dia a dia», explica Gérard Leleu.

2 – Uma arma contra a depressão

Graças à secreção de hormônios - endorfina, ocitocina e dopamina - o abraço é uma arma formidável contra a depressão. E se o dia do abraço está marcado em janeiro (inverno na Europa), não é por acaso, pois a depressão é mais forte no inverno. A luz joga pesado contra o nosso humor. O inverno é uma época mais sombria. Automaticamente, somos vítimas, e a depressão está à espreita. Para superar a falta de luz, o abraço é ideal. Ele traz conforto, calor e autoconfiança. »

3 – Uma cura eficaz contra a doença

Além de suas virtudes cardiovasculares, o abraço seria, de acordo com um estudo americano, uma barreira contra certas doenças e vírus, especialmente aqueles trazidos pelo frio. Tudo graças ao contato com outra pele cujo efeito principal é reforçar os anticorpos. «Realizar entre 5 e 10 minutos de abraços por dia é um complemento excelente para a saúde. Agora está provado que carícias e ternuras diárias aumentam em muito a resistência aos vírus da temporada. »

4 - Um «redutor» de solidão

Não é necessário estar namorando para dar abraços. Com um amigo, um conhecido ou um desconhecido, todo contato é benéfico. Este contato, suave e prolongado «libera vários hormônios que estimulam a felicidade e a plenitude. É como se estivéssemos satisfeitos com a ternura por um momento. O contato preenche o vazio emocional». Um contato especialmente verdadeiro hoje, onde o mundo virtual nos limita cada vez mais em nosso próprio mundo.

5 - Um complemento à sexualidade

Não existe somente o sexo na vida! A ternura e doçura também são muito importantes para um bom equilíbrio. Aliás, o abraço com a pessoa amada e o abraço com outra pessoa são bem diferentes: «Com seu parceiro, o abraço tem um aspecto erótico, sensual, e com um desconhecido ou um amigo, é a ternura que está em primeiro lugar. E a ternura, é primordial para ser feliz e se sentir bem consigo mesmo. Não é preciso cair em qualquer obsessão sexual. » O abraço pode se tornar viciante? «É claro. Quando ele se torna um hábito, é difícil ficar sem. Física e mentalmente. »

(1) Autor do Le Nouveau Traité des caresses (O Novo Tratado dos abraços), Edições J’ai Lu.

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