Acusação a Kassab tem nítido viés político

Manchete da Folha desta sexta-feira, e destaque no Jornal Nacional de ontem, ela traz a história de uma testemunha não identificada, chamada de "Gama" pelos promotores, que diz ter ouvido que uma enorme quantia de dinheiro foi enviada pela empresa Controlar ao ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab; em outros tempos, uma acusação tão frágil não mereceria tamanho destaque; mas, se é assim, por que tanto estardalhaço? O motivo é um só: a crescente possibilidade de segundo turno nas eleições de São Paulo em 2014, o que favorece Alexandre Padilha, do PT

Manchete da Folha desta sexta-feira, e destaque no Jornal Nacional de ontem, ela traz a história de uma testemunha não identificada, chamada de "Gama" pelos promotores, que diz ter ouvido que uma enorme quantia de dinheiro foi enviada pela empresa Controlar ao ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab; em outros tempos, uma acusação tão frágil não mereceria tamanho destaque; mas, se é assim, por que tanto estardalhaço? O motivo é um só: a crescente possibilidade de segundo turno nas eleições de São Paulo em 2014, o que favorece Alexandre Padilha, do PT
Manchete da Folha desta sexta-feira, e destaque no Jornal Nacional de ontem, ela traz a história de uma testemunha não identificada, chamada de "Gama" pelos promotores, que diz ter ouvido que uma enorme quantia de dinheiro foi enviada pela empresa Controlar ao ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab; em outros tempos, uma acusação tão frágil não mereceria tamanho destaque; mas, se é assim, por que tanto estardalhaço? O motivo é um só: a crescente possibilidade de segundo turno nas eleições de São Paulo em 2014, o que favorece Alexandre Padilha, do PT (Foto: Leonardo Attuch)
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SP 247 - A disputa pelo Palácio dos Bandeirantes em 2014, ao que tudo indica, será um jogo de vale-tudo, sem regras e com golpes desferidos abaixo da linha da cintura. Prova disso é a extensa reportagem de ontem do Jornal Nacional, que, nesta sexta-feira, se converteu em manchete dos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo.

Nela, uma testemunha não identificada, chamada por promotores do Ministério Público de "Gama", afirma que o ex-prefeito de São Paulo obteve uma verdadeira "fortuna" da empresa Controlar, que realizou serviços de inspeção veicular na capital paulista. A testemunha não tem nome, não mostra a cara, não apresenta provas do que afirma, mas sua "acusação" atinge o objetivo pretendido: três minutos no Jornal Nacional e manchetes nos dois maiores do jornais de São Paulo.

Ainda que a história fosse verdadeira, em outros tempos, só ganharia destaque na imprensa séria se pudesse ser minimamente provada. Aliás, nem Folha, nem Estado publicariam como manchete uma acusação ao governador Geraldo Alckmin, do PSDB, se alguém apresentasse um depoimento anônimo e apócrifo de uma "testemunha", afirmando que uma fortuna teria sido transferida das empresas Siemens e Alstom para os cofres tucanos.

Então, por que tanto destaque? O objetivo parece ser o de abater prematuramente a candidatura de Kassab, pelo PSD, ao Palácio dos Bandeirantes. Em reportagem publicada também nesta sexta, no Globo (leia aqui), o jornalista Gustavo Uribe informa que a entrada de Kassab no jogo é vista tanto por PT como PSDB como um fator decisivo e capaz de provocar o segundo turno no mais próspero estado do País – o que é visto com receio pelo PSDB, de Geraldo Alckmin, e com ânimo pelo PT, de Alexandre Padilha.

No PT, enxerga-se Kassab como uma espécie de "linha auxiliar", que poderá tirar votos do campo conservador, fechando com Padilha no segundo turno. No PSDB, existe a amarga lembrança das eleições municipais de 2008, quando o ex-prefeito largou muito atrás de Geraldo Alckmin e Marta Suplicy e, ainda assim, conseguiu bater os dois.

É apenas isso que está por trás do "escândalo" desta sexta-feira, produzido pela "testemunha Gama" contra o ex-prefeito Kassab, que deverá ter em sua chapa, concorrendo ao Senado, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.


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