Afastar comando da PM é “totalmente descabido”

Vai ficar tudo como está; é a posição do governador sobre troca na cúpula da Polícia Militar defendida por procurador da República; "Há violência por mero prazer por parte da PM", justificou Matheus Baraldi (à dir.) em audiência pública; "ele devia investigar o tráfico de drogas", reagiu Alckmin

Afastar comando da PM é “totalmente descabido”
Afastar comando da PM é “totalmente descabido” (Foto: Edição/247)

247 – Virou bate-boca pela mídia a iniciativa do procurador da República Matheus Baraldi de pedir nesta quinta-feira 26, em audiência pública, o afastamento do comando da Polícia Militar por meio de uma ação civil pública. "O que chamou a atenção para tomar essa medida foi a violência por mero prazer por parte dos PMs", disse ele diante de dezenas de participantes da audiência. "O governo precisa resolver isso imediatamente". Ainda sem data para ser impetrada, a ação deverá correr na 1ª instância da Justiça Federal. "Acho plenamente plausível, considerando leis nacionais e internacionais, o afastamento do comando da PM, entre outras medidas", prosseguiu o procurador. "Quando vemos casos de espancamento de inocentes pelo simples desejo de espancar, é sinal de que precisamos de uma reação concreta". Baraldi defendeu ainda o encaminhamento de uma representação junto ao Procurador Geral para acompanhar a realidade da segurança paulista nos próximos 12 meses.

Em razão da iniciativa, também hoje o comandante-geral da PM, Roberval Ferreira França, publicou carta aberta em sua página no Facebook defendendo seu próprio trabalho à frente da corporação (leia aqui reportagem de 247 a respeito). Na noite da quarta-feira 25, seis pessoas morreram na zona norte de São Paulo, vítimas de tiros de homens encapuzados que desceram de um automóvel não identificado. As cápsulas de munição que ficaram nos loais dos crimes eram de balas de pistolas calibre 40, usadas pela Polícia Militar. "Não vão nos acovardar", registrou o comandante  em sua carta aberta.

O governador Geraldo Alckmin e o secretário estadual de Segurança Pública Antonio Ferreira Pinto igualmente fizeram disparos verbais na direção do procurador. Alckmin tentou ser contundente, dando uma conotação ainda mais política à questão. Ele procurou, à sua maneira, jogar a culpa do aumento na criminalidade em São Paulo no governo federal. "Acho que o Ministério Público Federal devia investigar primeiro o tráfico de drogas. Nós produzimos laranja, cana, café, soja, milho, mas não produzimos cocaína. Por onde entra a cocaína? Entra pela fronteira. Onde está a polícia de fronteira?", questionou Alckmin. Ele defendeu a PM. "Aqui em São Paulo a polícia está trabalhando 24 horas para proteger a população e tem nossa confiança. E pode ter certeza de que vai reduzir a criminalidade". O governador classificou como "totalmente descabida" a intenção do procurador Baraldi. Pela mesma linha foi o secretário de Segurança: "Isso aí é uma postura temerária do procurador, que não tem nenhum sentido. Ele não tem elemento nenhum para dizer que houve perda do comando, que houve perda de controle", disse Ferreira Pinto em entrevista ao portal G1.

Na quarta-feira 25, o governo paulista divulgou os últimos índices sobre criminalidade no Estado. O total de homicídios dolosos cresceu 21% na capital paulista e as mortes em confrontos com a polícia também registraram aumento no período.

Durante a audiência pública, o coronel Jair Paes de Lira, ex-deputado federal, saiu em defesa da corporação. "Não há porque linchar uma corporação centenária", disse.

Baraldi rebateu, falando em "perda de controle". "Nada me impede de reconhecer os méritos da PM, porém isso não justifica esses casos sequenciais que derivam de perda de controle. Não podemos tratar casos sequenciais como casos pontuais", acrescentou.

Os debates seguiam tensos na tarde desta quinta-feira na audiência pública. Depois de um breve bate-boca entre os integrantes da mesa, o coronel Luiz Carlos dos Santos, presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar (AOPM), decidiu se retirar. "Acho um absurdo. Ele pede a troca de um comando que assumiu há dois meses. Esse Comando-Geral nem teve tempo de mostrar seu serviço. Isso é pura ideologia", disse antes de deixar o evento.

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