Agora, querem impedir a candidatura de Dilma ao Senado

Não há espaço para deslumbramentos, menos ainda para enganos. Há poucas semanas escrevi um artigo intitulado: “Quem defendeu Dilma, defende Pimentel”, acredito que, à luz da novidade, tenha sido renovada sua atualidade. É preciso resistir contra todas as frentes do golpe, exigindo a libertação de Lula, defendendo o governador Fernando Pimentel e o direito de Dilma se candidatar ao Senado; leia o artigo de Oleg Abramov

Agora, querem impedir a candidatura de Dilma ao Senado
Agora, querem impedir a candidatura de Dilma ao Senado (Foto: Ricardo Stuckert)

Por Oleg Abramov, no Pautando.com.br A absolvição de Gleisi Hoffmann, a libertação de José Dirceu e a desautorização do Juiz Moro no episódio da tornozeleira eletrônica estão criando uma sensação em muitos militantes de que “as coisas estão melhorando”. Vi muita torcida pela soltura de Lula no Supremo alguns dias antes de Fachin cancelar o julgamento na 2ª turma do STF em fins de junho. Agora há quem renove as esperanças na presidência de Dias Toffoli. Ter esperança é muito importante, temerária é a ilusão.

Quando a crise que desaguou no golpe começou, vimos a militância inerte até que fosse tarde demais. Me lembro das comemorações quando Cunha foi afastado da Mesa Diretora da Câmara e a “certeza” de que os golpistas jamais conseguiriam 3/5 dos votos dos deputados para iniciar o processo de impeachment. O que valia para aquela época, continua valendo para agora. A ilusão de que as instituições por si só se ajustarão à isenção, isonomia, igualdade de oportunidades, ou seja, ao regramento do Estado democrático de direito, ainda contamina as análises e afeta a ação política dos que querem o retorno do governo progressista ainda nas eleições deste ano.

Na minha modesta opinião, esse tipo de ilusão é um dos componentes que impedem a compreensão de que o golpe vem ganhando força em Minas Gerais. Se não era suficiente as ameaças contra Pimentel que, repito insistentemente, podem atingir de morte a democracia de diferentes formas, seja pelo afastamento imediato do governador ou à sua inviabilização eleitoral, uma nova armadilha ardilosa se prepara. Neste momento, os mesmos que conspiram contra Pimentel querem impedir a candidatura de Dilma ao Senado Federal. Argumentam que o impedimento de 2016 por si só se conecta a suspenção do direito de se candidatar. Mesmo que já tenha ficado evidente que aquilo foi um golpe, que não houve dolo nas ações da presidenta e que as famigeradas “pedaladas fiscais” tenham sido desmascaradas.

Lembremos que quando o impeachment foi votado no Senado houve desvinculação da cassação do direito de se candidatar por oito anos. Na época, a decisão gerou o primeiro grande impasse do “governo” Temer com os seus aliados, no caso, capitaneados por Renan Calheiros.

Mas daquele momento em diante, nada mais se falou a respeito. Apenas agora, quando Dilma Rousseff se posiciona bem nas pesquisas e assume sua pretensão de tomar a cadeira de Aécio Neves no Senado, os adversários vêm questionar seu direito.

Atualmente no Brasil, cada cenário político relevante é marcado por uma aberração antidemocrática. Isso porque a sanha golpista é inerente à política desenvolvida pelo grupo que conspirou em 2015-2016. A estratégia da direita brasileira se converteu em uma sistemática operação antidemocrática. Não se trata de acidente de percurso, de predisposições particulares ou de eventos fortuitos; neste momento, toda a política desenvolvida por esta facção que vai de Alckmin a Bolsonaro, passando por Meirelles e Rodrigo Maia, é alicerçada no golpe.

Vejam, derrubaram a presidenta eleita, todas as lideranças populares relevantes estão sendo processadas, algumas delas estão presas, o Partido dos Trabalhadores está igualmente sitiado por ações judiciais. A CUT e suas entidades estão sendo solapadas financeiramente, enfraquecidas na arena da Justiça do Trabalho pelas mudanças implementadas pela reforma de Temer em um contexto de galopante judicialização da luta dos trabalhadores. Enquanto no enredo eleitoral, mantém Lula encarcerado e diversos outros candidatos do PT nas cordas.

Em Minas Gerais, o governador Fernando Pimentel enfrenta a asfixia financeira que objetiva impor-lhe a paralisia decisória, ao mesmo tempo em que é ameaçado nas arenas legislativa e judicial, e, agora, pretendem impedir a viabilização da candidatura petista ao Senado.

Neste contexto, não pode haver ilusão no ajuste natural das instituições. Não há saída fácil ou automática para a crise. Apenas com a imposição da derrota o golpe recuará.

Não há espaço para deslumbramentos, menos ainda para enganos. Há poucas semanas escrevi um artigo intitulado: “Quem defendeu Dilma, defende Pimentel”, acredito que, à luz da novidade, tenha sido renovada sua atualidade. É preciso resistir contra todas as frentes do golpe, exigindo a libertação de Lula, defendendo o governador Fernando Pimentel e o direito de Dilma se candidatar ao Senado.

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