AL é o 2º pior em abertura de postos de trabalho

O Estado de Alagoas alcançou o segundo pior resultado do País em abertura de postos de trabalho no mês de janeiro. Desempenho só não é inferior ao do Rio de Janeiro. Dados foram levantados pelo Ministério do Trabalho e Emprego

O Estado de Alagoas alcançou o segundo pior resultado do País em abertura de postos de trabalho no mês de janeiro. Desempenho só não é inferior ao do Rio de Janeiro. Dados foram levantados pelo Ministério do Trabalho e Emprego
O Estado de Alagoas alcançou o segundo pior resultado do País em abertura de postos de trabalho no mês de janeiro. Desempenho só não é inferior ao do Rio de Janeiro. Dados foram levantados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (Foto: Voney Malta)
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Alagoas247 - 4.695 empregados em regime celetista (com carteira assinada) foram demitidos em janeiro deste ano por motivos sazonais, de acordo com levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego(MTE), por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

A eliminação representa uma redução de 1,27% em relação ao estoque de assalariados do mês anterior. O porcentual divulgado semana passada é considerado o maior dos últimos doze anos, período em que se verificou porcentual um pouco menor, de 1,21%.

Apurou a reportagem da Gazeta de Alagoas que o desempenho negativo se justifica principalmente pelo declínio do emprego nos setores de indústria de transformação (-5.178 postos de trabalho sobretudo no segmento produtor de alimentos) e no de comércio (-573).

Na série ajustada, que incorpora as informações declaradas fora do prazo, o acumulado dos últimos doze meses, a redução é de 4.450 postos de trabalho, o que corresponde a 1,21% do aglomerado de trabalhadores celetistas.

O recorde obtido em janeiro fica evidente quando se analisa o mapa da evolução do emprego formal, de 2003 a 2014. Em janeiro daquele ano, por exemplo, "apenas" 1.949 tinham sido demitidos. Uma década depois, no primeiro mês do ano, 2.093.

Crise faz aumentar número de demissões

A eliminação de 5.178 postos de trabalho verificada em janeiro, na indústria de transformação, evidencia a crise que "castiga" o setor desde 2011, quando o número de empregados com carteira assinada era de 106.881. Até o final de 2013, dependiam do setor para honrar compromissos 93.398 trabalhadores.

O segmento deu baixa, entre 2007 e 2013, em 8,6% das carteiras de trabalho assinadas principalmente pelos donos das 24 usinas especializadas na transformação de cana em açúcar e/ou etanol (álcool), apurou a Gazeta.

Embora o setor agropecuário tenha sofrido baque maior (-14%), a redução dos colaboradores da indústria de transformação tem consequências mais danosa ao cenário econômico porque o setor responde por 98,62% das exportações alagoanas.

"O fechamento de três usinas, a necessidade de reestruturação tecnológica (mecanização da colheita do vegetal açucarado), a redução das exportações explicam a crise por que passa o ramo de atividade e justifica a redução dos empregos", analisa o economista Fábio Guedes, do Departamento de Economia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

BOLETIM

O mais recente "boletim de equivalência" divulgado pelo Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas (Sindaçúcar) confirma: as usinas Guaxuma (Coruripe), Laginha (União dos Palmares) e Uruba (Atalaia) "finalizaram o ciclo" (paralisaram atividades) antes do tempo por "questões financeiras".

Fetag diz que situação do estado é irreversível

O secretário de assalariados da Federação da Agricultura (Fetag/AL), Cícero Domingos, considera irreversível a tendência de redução de postos de trabalho para plantadores e cortadores de cana-de-açúcar em Alagoas. Atualmente, ele diz haver pouco mais de 60.000 empregados nas usinas de todo o estado.

"Na década de 1990, tínhamos 120.000 lavradores contratados. Metade dos postos foram eliminados principalmente por causa da mecanização", revela Cícero, ex-cortador de cana que ingressou no sindicalismo em 1992. Desde então, dedica-se à defensa da categoria.

Dos que perderam o emprego, fração considerável migrou aos estados do Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS) e Minas Gerais (MG), mas regressou às Alagoas tempos depois para aproveitar as oportunidades de trabalho na construção civil.

"A demanda por imóveis já está desaquecida e muitos destes ex-cortadores de cana temem o desemprego, mais uma vez", emenda o sindicalista, que atenta para outro "nó" bem conhecido: a baixíssima qualificação educacional deste contingente.

"Sempre foi assim", ressalta Aliança

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) relativos a janeiro também confirmam a tendência de redução de posto de trabalho no setor de comércio de todo o estado, depois do aquecimento das contratações a partir de outubro do ano passado.

Os 573 trabalhadores desligados de suas funções, nos primeiros trinta dias do ano, não trazem nenhuma surpresa para o presidente da Aliança Comercial de Maceió, empresário Olinto Osório, que também desligou alguns dos colaboradores depois da correria às compras no final e início de ano.

"Sempre foi assim. O comércio amplia seu quadro funcional para atender aos consumidores no final do ano, mas desliga parte deste contingente no início do ano seguinte porque não tem condições de mantê-los nos postos", explica o empreendedor.

Líder de um segmento que emprega, atualmente, 6.300 pessoas pelo regime celetista, Olinto estima que as centenas de lojas da região central da cidade adicionaram até 1.500 temporários para atendimento da clientela.

"Para absorver a clientela com renda do 13º salário, por exemplo, os lojistas empregam mais de 7.000. Passada a corrida às compras, é natural a redução", reforça o empresário.

Com gazetaweb.com e Gazeta de Alagoas

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