Alckmin diz que 2017 será o ano da verdade em artigo que conta mentira

"Se 2016 teve acontecimento positivo, foi a demonstração de que os cidadãos não mais toleram proezas irresponsáveis com a coisa pública. Essa ampla conscientização recolocará o Brasil na trilha da responsabilidade. Os brasileiros já não aceitarão a doce, mas destrutiva, embriaguez do populismo", escreveu o governador Geraldo Alckmin, que, antes de aderir ao golpe de 2016, dizia que um presidente da República não poderia ser afastado por motivo fútil como as chamadas pedaladas fiscais, que ocorreram em São Paulo

Brasília- DF- Brasil- 30/01/2015- O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin concede entrevista acompanhado dos ministros, Aloizio Mercadante e Izabela Teixeira, após reunião com a presidenta Dilma Rousseff (José Cruz/Agência Brasil)
Brasília- DF- Brasil- 30/01/2015- O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin concede entrevista acompanhado dos ministros, Aloizio Mercadante e Izabela Teixeira, após reunião com a presidenta Dilma Rousseff (José Cruz/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Attuch)

247 – Em setembro de 2015, o governador paulista Geraldo Alckmin se posicionou contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, ao dizer que um chefe de Estado não poderia ser afastado por motivo fútil (leia aqui).

Hoje, depois do golpe consumado, Alckmin conta outra versão.

2017, o ano da verdade

Por Geraldo Alckmin

"O povo cansou de tanto desiludir-se. Chegou a hora da verdade." Lembro-me dessas palavras de Mário Covas em seu discurso de posse como governador de São Paulo, em 1º de janeiro de 1995. Eram tempos difíceis; havia necessidade de mudar o panorama da gestão pública para superar décadas de crise econômica e social no país.

Dávamos, então, os primeiros passos rumo à estabilidade e devemos muito do que conseguimos nos anos seguintes à coragem e à ousadia de nosso governador.

Duas décadas se passaram, muitos rumos foram prometidos e tentados no Brasil, e aqui estamos na maior crise econômica da nossa história, que maltrata a população e a faz ter medo do futuro.

Farra fiscal, gasto público de má qualidade e o ilusionismo como política econômica produziram o imenso desastre que teve a sua apoteose em 2016. No país com mais de 12 milhões de desempregados, respiramos o desânimo de um ano que parece não ter fim.

Se 2016 teve acontecimento positivo, foi a demonstração de que os cidadãos não mais toleram proezas irresponsáveis com a coisa pública. Essa ampla conscientização recolocará o Brasil na trilha da responsabilidade. Os brasileiros já não aceitarão a doce, mas destrutiva, embriaguez do populismo.

A população exige que seus governantes sejam bons gestores. Ao Estado cabe induzir o desenvolvimento, prestar serviços de qualidade e descomplicar a vida daqueles que geram empregos e renda.

Em São Paulo, a responsabilidade fiscal é lei há mais de 20 anos. O Estado não gasta mais do que arrecada, não atrasa salários e não suspende serviços essenciais. Investimentos em obras de infraestrutura essenciais, como o Rodoanel e o Metrô, geram 180 mil empregos sem produzir deficit.

Em dezembro, entregamos as primeiras unidades habitacionais (de um total de 3.683) erguidas no centro da capital em parceria com a iniciativa privada, para famílias de baixa renda.

Temos fôlego e vamos entregar, em 2017, 11 estações do metrô e cinco do VLT da Baixada Santista. As nove estações novas da linha 5-Lilás vão colocar mais 500 mil passageiros/dia no sistema metroferroviário paulista, que transporta 75% de todos os passageiros que viajam em trens urbanos no Brasil.

A rede estadual de saúde, referência nacional de qualidade, chegará a 101 hospitais com a inauguração das oito unidades em construção. Em 2017, esperamos a boa notícia da aprovação da vacina tetravalente contra a dengue, produzida com tecnologia nacional pelo Instituto Butantan, hoje em fase final de testes.

Também dão frutos os investimentos na educação. Em 2016, São Paulo foi o primeiro Estado a ocupar simultaneamente o topo do ranking nacional de qualidade nos três ciclos do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Estamos no caminho correto, mas é preciso melhorar mais.

O exemplo tem de vir de cima. Por isso, congelamos os salários do governador, vice e secretários. Caso se aplicasse reajuste pela inflação, o efeito cascata sobre altos salários do Estado tiraria dinheiro da educação, da saúde e de serviços essenciais.

O futuro é o que plantamos. Fizemos em 2013 a reforma da Previdência paulista. Em 2015 e 2016, antecipamos o ajuste que garantiu a saúde financeira do Estado.

Em novembro, com aval do Banco Mundial, lançamos um pacote de concessões de rodovias e aeroportos que supera R$ 10 bilhões em investimentos. Dinheiro novo, privado e sem endividamento.

É necessário ter otimismo para superar a crise, mas não basta. Precisamos superá-la como São Paulo superou a maior crise hídrica da história do Sudeste: com a participação da população e investimento em obras estruturantes, que geram competitividade e empregos.

O povo cansou de desiludir-se. Os desafios da hora exigem qualidade de gestão e coragem política redobradas. Tenho em mente as palavras de um grande brasileiro que nos deixou há pouco, dom Paulo Evaristo Arns: "A crise é um momento de mudanças qualitativas".

O sábio arcebispo emérito recomendava viver com coragem e esperança, sempre.

GERALDO ALCKMIN é governador do Estado de São Paulo (PSDB) desde 2011. 

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