Ana Lúcia rebate pesquisa: “salário de professor é miserável”

Revista Educação coloca salário médio do professor da rede estadual de Sergipe em R$ 3 mil, sendo assim o melhor do Nordeste e o 4º melhor do Brasil; "é triste chamar a atenção disto, como se fosse alguma coisa boa. Este é um dado triste da educação brasileira. O salário de R$ 3 mil não é a média dos professores que estão em sala de aula. É a média dos prestígios que se colocam na política de educação, de pessoas que não estão na sala de aula, mas que saem na folha de pagamento"

Ana Lúcia rebate pesquisa: “salário de professor é miserável”
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Valter Lima, do Sergipe 247 – Não foi das melhores a reação da deputada estadual Ana Lúcia (PT) à divulgação da pesquisa que coloca o salário dos professores da rede estadual de Sergipe como o melhor do Nordeste e o 4º melhor do país, segundo a revista Educação. Liderança eleita com a força da categoria, a parlamentar disse que o salário médio divulgado (acima de R$ 3 mil) não condiz com a realidade do professor que está em sala de aula. Ela denominou o levantamento como “o ranking do salário miserável”.

“É triste chamar a atenção disto, como se fosse alguma coisa boa. Este é um dado triste da educação brasileira, que nunca foi republicana ou democrática. O salário de R$ 3 mil não é a média dos professores que estão em sala de aula. É a média dos prestígios que se colocam na política de educação, de pessoas que não estão na sala de aula, mas que saem na folha de pagamento, que leva a este valor, que falseia a realidade”, afirmou.

A deputada diz que como professora de nível superior, pós-graduada, com 40 anos de serviço, possui um salário de R$ 3,7 mil, que seria um valor muito baixo para uma profissão tão relevante. “Este é o valor do desconto do meu salário na Assembleia, que é a minha aposentadoria de professora. Eu fico muito triste quando colocam esse ranking dos salários dos professores, porque é a mesma disputa de pobre contra pobre para ter direito a habitação, ter alimento. É a disputa da proletarização, da desvalorização, da agressão a uma profissão tão importante, que é o magistério, ao achar que isso significa alguma coisa”, desabafou.

Para Ana Lúcia, “ninguém acha absurdo um juiz ter um subsídio que varia entre R$ 20 mil e R$ 25 mil, mais auxílio alimentação, auxílio moradia, entre outros, que elevam o salário dele para mais de R$ 30 mil”, mas considera alto e satisfatório o vencimento do professor. “O professor é aquele que forma intelectualmente à população brasileira, que hoje ainda é sub-escolarizada”, afirmou.

Ainda segundo a petista, há mais de 15 anos que Sergipe se mantém em 4º, 5º lugar, no máximo 6º, neste ranking de salários, “só em alguns momentos, no Governo Albano, é que chegou a 14º”. “Em geral a média é o 5º lugar em termos de salário miserável. Essa revista não reflete a realidade. Cada professor te uma jornada diferente, uma carreira, vantagens diferenciadas. Não se sabe a média salarial. O salário base é de R$ 1.467, que é o piso”, ressalta.

De acordo com a parlamentar, Sergipe não está pagando o piso “nem a quem precisa”. “O Governo do Estado está pagando o piso de 2011 e dando um abono para pagar a complementação de 2012 e agora para chegar ao piso de 2013, mas o triênio e a regência não são calculados pelo novo valor, mas ainda por aquele piso anterior. No mínimo, os professores estão recebendo R$ 300 a menos do que têm direito”, denuncia.

“Eu espero que o Governo tenha maturidade suficiente para entender que precisa cumprir a lei, precisa pagar o piso corretamente e nos devolver a carreira, pois o valor do piso é muito ruim. R$ 1.567, que é o novo valor, é muito baixo, por isso, ele deve ser considerado apenas como um patamar mínimo. Isso mostra que esse país ainda não prioriza a educação”, arrematou.

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