André e Venâncio perdem debate ao apostar na desinformação

O deputado estadual Venâncio Fonseca (PP) tentou criar factóide entre a licitação de um jatinho pelo Governo do Estado e a falta de anúncio de reajuste salarial; no entanto, Governo mostrou que recursos gastos com avião particular em seis anos foram inferior a metade do que foi usado em quatro anos da administração João, aliado de Venâncio; já André Moura tentou desqualificar a prefeita Esmeralda Cruz, de Carmópolis, a partir de uma decisão judicial que retirou royalties da administração; ele só esqueceu que ela é considerada pela Firjan a prefeita que melhor aplicou recursos em programas sociais em Sergipe

André e Venâncio perdem debate ao apostar na desinformação
André e Venâncio perdem debate ao apostar na desinformação

EDITORIAL, do Sergipe 247 – A oposição existe para fazer contraponto, mostrar contradições e desmistificar discursos governistas. No entanto, na ânsia de cumprir este papel e atacar adversários, alguns políticos se valem da desinformação para tentar alcançar objetivos pessoais ou de grupos. Foi o que ficou comprovado na ação de dois deputados sergipanos (o deputado estadual Venâncio Fonseca e o federal André Moura) nos últimos dias. Mas eles logo perderam o debate.

O líder da oposição na Assembleia Legislativa, deputado estadual Venâncio Fonseca (PP), recorreu aos microfones do plenário do parlamento, supostamente em defesa do reajuste salarial dos servidores, para “denunciar” a contratação de um jato executivo pelo Governo. Segundo ele, a Procuradoria do Estado havia dado parecer contrário ao processo, mas alterou sua posição em nova decisão. “Para os servidores o Estado não tem dinheiro, não tem recursos. Agora não querem nem pegar avião de carreira. Com o jatinho, a viagem fica mais confortável. Tem dinheiro sobrando para contratar jatinho”, criticou.

Logo veio a resposta do Governo: “a licitação para fretamento de aeronave leva em consideração um princípio básico da administração pública, a economicidade. Pensando nisso, o Governo do Estado decidiu ainda em 2007 realizar uma licitação já que até então todos os ex-governadores ao longo dos últimos 30 anos utilizavam-se de contratos emergenciais para fretamento de aeronaves tornando estas contratações demasiadamente onerosas. Esta licitação que foi finalizada no início de 2008 venceu sua validade em março de 2013 fazendo que com haja a necessidade de se realizar novo processo licitatório que prevê um gasto anual máximo para este tipo de fretamento no valor de R$ 897 mil, que somente serão utilizadas e pagas caso haja necessidade já que o pagamento somente será realizado por milha voada, caso não se utilize, não se paga”.

E foi no calcanhar de Venâncio: “Para efeito de comparação, na gestão do ex-governador João Alves Filho, o governo do Estado gastou R$ 5 milhões em quatro anos (2003/2006). A administração de Marcelo Déda gastou em seis anos (2007/2012) a quantia de R$ 2,1 milhões, ou seja, em seis anos de governo gastou-se menos da metade do que se gastava em quatro anos. Saiu-se de um patamar de contratos emergenciais, muito caro, para outro de uma modalidade de licitação, pregão eletrônico, que leva em consideração o menor preço”. Assim, com uma nota, o Governo esvaziou o discurso da oposição, amparado na hipocrisia, pois não há irregularidade alguma no uso de jatinhos por governadores.

Já na Câmara Federal, André Moura (PSC) criticou a administração do município de Carmópolis, na gestão da prefeita Esmeralda Cruz (PT), por, segundo ele, não fazer uso correto das verbas dos royalties do petróleo que a cidade recebe. O parlamentar se utilizou de uma decisão judicial, em um processo da Agência Nacional do Petróleo, que reduziu consideravelmente o repasse mensal de recursos para o município, para tentar imputar culpa absoluta na gestora, que derrotou por duas vezes o candidato a prefeito apoiado por ele.

No discurso feito por André, ele tenta passar a ideia de total descontrole financeiro da cidade e de desassistência quase absoluta. Ecoou no vazio. A prefeitura de Carmópolis é a cidade sergipana que melhor utiliza recursos públicos em programas sociais, segundo dados da Firjan. Esmeralda é a prefeita com maior aprovação popular do Estado, tanto que foi reeleita, no ano passado, com índices altíssimos. O deputado federal Márcio Macêdo (PT), que acompanhava o falatório de André logo se pronunciou também em plenário. Citou os programas sociais vigentes no município, que complementam a renda de pessoas mais pobres e que auxiliam estudantes universitários.

Como afirmou, com propriedade o jornalista Cláudio Nunes, na edição desta sexta-feira (5) do seu blog na Infonet, “a oposição no Estado parece atordoada nos últimos dias”. Embora esteja em seu papel de legítima ação, a crítica, para ter valor, deve ser bem embasada, verdadeira e substancial, pois, caso contrário, em tempos de livre informação e facilitação de acesso, logo cai em descrédito. André e Venâncio poderiam apontar outros tantos problemas – porque eles sempre existem – nas gestões de seus adversários políticos, mas optaram pelo caminho mais fácil da desinformação. Só não esperavam ser desmascarados tão rapidamente.

 

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