Anvisa manda suspender propaganda da fosfoetanolamina

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que a publicidade da fosfoetanolamina sintética fosse retirada da internet; segundo os pesquisadores que a desenvolveram, a substância combateria o câncer. Testes em pessoas com câncer estão em andamento; apesar da suspensão, até esta sexta-feira, 24 de fevereiro, os sites permaneciam no ar e foi possível preencher um formulário para fazer a reserva do produto enquanto ainda não está disponível

Anvisa manda suspender propaganda da fosfoetanolamina
Anvisa manda suspender propaganda da fosfoetanolamina

Da SaúdeBrasileiros - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, no começo da semana, que a publicidade da fosfoetanolamina sintética fosse retirada da internet. Segundo os pesquisadores que a desenvolveram, a substância combateria o câncer. Testes em pessoas com câncer estão em andamento. 

Apesar da suspensão, até esta sexta-feira, 24 de fevereiro, os sites permaneciam no ar e foi possível preencher um formulário para fazer a reserva do produto enquanto ainda não está disponível. 

Em nota divulgada na terça-feira (21), a Anvisa informou que a legislação sanitária não permite que um suplemento alimentar alegue propriedades terapêuticas. Os sites da Newlife Health Company e Quality Medical Line, porém, atribuem qualidades medicinais ao produto. As duas empresas fabricarão o produto em laboratórios nos Estados Unidos. No site da New Life, reportagens postadas informam que os donos da empresa são brasileiros.  

A agência disse ainda que não recebeu qualquer pedido de registro da substância como medicamento ou suplemento alimentar para que fosse vendida ou fabricada no Brasil.

O suplemento também é vendido na Inglaterra e nos Estados Unidos em associação com minerais como cálcio e magnésio. Um desses produtos é conhecido como Calcium EAP

Substância polêmica

Em entrevista, o oncologista clínico Helano Freitas, coordenador de Pesquisa Clínica do A.C.Camargo Cancer Center, fala da fosfoetanolamina como suplemento alimentar e dos riscos de interromper o tratamento convencional

A fosfoetanolamina será vendida como suplemento alimentar pela internet. Como vê essa situação?  
É estranho que uma substância até pouco tempo defendida por seus supostos benefícios no tratamento do câncer passe a ser comercializada como um suplemento alimentar. Por definição, suplementos alimentares não têm finalidade terapêutica. Portanto, a estratégia de comercializar a fosfoetanolamina como suplemento claramente visa burlar o controle sanitário da Anvisa, já que a substância não preenche os requisitos necessários para ser registrada como medicamento. 

Quais foram as conclusões dos estudos realizados no Brasil sobre a substância? 

Os resultados dos estudos em seres humanos até o momento não foram publicados. O pesquisador chefe, Dr. Paulo Hoff, divulgou em entrevista recente que não houve toxicidade no curto prazo para os pacientes, mas ainda não sabemos sobre os efeitos no longo prazo e nem qual dose deveria ser utilizada com finalidade terapêutica. Tudo é absolutamente empírico quanto a esta substância.

O consumo da fosfoetanolamina como medicina complementar pode ser prejudicial a pessoas que fazem o tratamento convencional?

Não há como saber sem estudos clínicos.

Quais os riscos do uso a longo prazo por pacientes de câncer? 

Não se sabe. Com exceção do estudo em andamento, até hoje não parece ter havido registro sistemático dos dados de segurança e eficácia em pacientes que supostamente receberam a substancia por longos períodos. Mas há um risco real das pessoas se automedicarem sem supervisão médica. Há inclusive o risco de abandonarem seus tratamentos para usar a fosfoetanolamina sem supervisão médica, pois suplementos são vendidos livremente.

O principal problema em torno da fosfoetanolamina é a propaganda da esperança de cura sem nenhuma fundamentação em dados científicos até o momento. Seria bom se fosse verdade, mas se os efeitos da substância fossem tão bons quanto se disseminou sem estudos comprobatórios, a pergunta que fica é: Por que os desenvolvedores não investiram em estudos e decidiram distribuir indiscriminadamente a substância? E por que agora decidiram comercializa-la a qualquer custo, não mais com finalidade terapêutica, mas como suplemento?

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