Assembleia vê esquema ilegal de jogos em Juiz de Fora

Comissão da Assembleia Legislativa de Minas, após três meses de apurações, concluiu haver uma rede de corrupção milionária envolvendo jogo do bicho e máquinas de caça-níqueis na cidade da Zona da Mata mineira. Policiais, juízes e promotores são acusados de receber até R$ 16 mil mensais de propina    

Assembleia vê esquema ilegal de jogos em Juiz de Fora
Assembleia vê esquema ilegal de jogos em Juiz de Fora (Foto: Divulgação)
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Minas 247 – A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), através de sua Comissão de Direitos Humanos, concluiu haver em Juiz de Fora um esquema de corrupção montado para favorecer bicheiros e donos de máquinas de caça-níqueis. O relatório de 200 páginas aponta o envolvimento de juízes, promotores e policiais da cidade. Um capitão da Polícia Militar, comandante da 30ª Companhia da PM, que recebe cerca de R$ 4.000 por mês, teria construído cinco mansões na cidade.

Confira a matéria da jornalista Natália Oliveira, do jornal O Tempo

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) vai acionar nos próximos dias as Corregedorias das polícias Militar e Civil, a Procuradoria Geral de Justiça em Minas e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que esses órgãos tomem providências em relação ao envolvimento de policiais, um juiz e três promotores num grande esquema de corrupção que tem como principal beneficiário um bicheiro de Juiz de Fora, na Zona da Mata.

Depois de três meses, a comissão concluiu ontem a principal parte da investigação e apontou que, por trás do funcionamento clandestino de 22 pontos de anotações de jogos do bicho e de máquinas caça-níqueis na cidade, existe uma rede de corrupção em que os beneficiados pelas propinas chegam a lucrar até R$ 16 mil mensalmente. O esquema funcionaria há pelo menos dois anos.

Entre abril e junho, a comissão colheu 28 depoimentos de testemunhas e dos próprios acusados. Os relatórios de até 200 páginas trazem detalhes de como o bicheiro Frederico Arbex atuaria. Em troca das propinas, policiais civis e militares, conforme a comissão, seriam coniventes com o esquema. Na outra ponta, promotores e até um juiz não levavam as investigações à frente.

Ouvido pelos parlamentares, um outro bicheiro da cidade denunciou que recebeu a oferta para ter de volta um notebook apreendido numa operação em troca de R$ 10 mil. Na denúncia, o ex-bicheiro cita o delegado Fernando Camarota e os investigadores Alexandre Soares, o Carioca, e outro identificado apenas como Marcelo.

Em outro depoimento, um tenente contou ter sido ridicularizado pelo bicheiro Arbex ao tentar apreender caça-níqueis controlados pelo contraventor. Segundo o militar, o bicheiro garantiu que teria todo o material recuperado com a ajuda dos comparsas. Arbex é dono de seis lanchonetes e de uma boate em Juiz de Fora. Ele não foi encontrado ontem.

Mansões. Além da suspeita de cobrança de propina, a investigação trouxe uma outra revelação. Segundo o deputado Sargento Rodrigues (PDT), que preside a comissão, o capitão Yoshio Yamaguchi, comandante da 30ª Companhia da PM, outro suspeito de envolvimento no esquema para beneficiar o bicheiro, foi denunciado também por subordinados pelo desvio de materiais de construção que deveriam ser usados na reforma da companhia. Em vez de seguir direto para a unidade policial, parte do material era descarregada na casa do comandante.

Com um salário mensal de R$ 4.000, Yamaguchi teria erguido verdadeiras mansões ao longo de dois anos. Como mão-de-obra, diz a denúncia, ele obrigava os subordinados de quartel a fazer o trabalho de pedreiros. "O capitão tem cinco casas de luxo na cidade com um salário de R$ 4.000. Isso é suspeito", disse o Sargento Rodrigues.

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