Ataídes quer CPMI para apurar ganho de mais de R$ 700 mi da JBS no câmbio

Senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) começou a recolher assinaturas para instalar uma CPMI com o objetivo de investigar o ganho bilionário do Grupo J&F (holding que controla a JBS) com o vazamento da delação premiada do empresário Joesley Batista; a CVM estimou em mais de R$ 700 milhões o lucro do grupo com as operações no mercado de câmbio e bolsa de valores nos últimos dias; segundo o parlamentar, os irmãos Batista vão ter que explicar essa "esperteza", porque sabiam que a gravação com Michel Temer "iria provocar o caos no câmbio e derrubar as ações da empresa. Por isso mesmo, dias antes compraram R$ 1 bilhão de dólares e venderam mais de R$ 300 milhões em ações"

Plenário do Senado durante sessão deliberativa ordinária. À mesa, senador Ataides Oliveira (PROS-TO) Foto: Moreira Mariz/Agência Senado
Plenário do Senado durante sessão deliberativa ordinária. À mesa, senador Ataides Oliveira (PROS-TO) Foto: Moreira Mariz/Agência Senado (Foto: Leonardo Lucena)

Tocantins 247 - O senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) começou a recolher assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito com o objetivo de investigar o ganho bilionário do Grupo J&F (holding que controla a JBS) com o vazamento da delação premiada do empresário Joesley Batista. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estimou em mais de R$ 700 milhões o lucro do grupo com as operações no mercado de câmbio e bolsa de valores nos últimos dias. 

Segundo o parlamentar, os irmãos Batista vão ter que explicar essa "esperteza", porque sabiam que a gravação com Michel Temer "iria provocar o caos no câmbio e derrubar as ações da empresa". "Por isso mesmo, dias antes compraram R$ 1 bilhão de dólares e venderam mais de R$ 300 milhões em ações", disse.

O congressista chamou Joesley e Wesley Batista de "ratos insaciáveis", termo que ele já havia usado para classificar Emílio e Marcelo Odebrecht, que também participaram de esquema criminoso de corrupção e fizeram delação premiada.

Uma das primeiras medidas da CPMI será a convocação de Joesley e Wesley Batista. “Se não vierem por bem, eles virão coercitivamente”, informou o parlamentar.

O tucano cobra explicações sobre a atuação ou a omissão da CVM, que já instaurou cinco processos administrativos para investigar o frigorífico JBS.

De acordo com o senador, o Ministério Público Federal também deve explicações sobre o "super, mega, plus" acordo de delação premiada fechado com os irmãos Batista, que receberam perdão judicial depois de "explodirem o mundo político e a economia" e estão livres nos Estados Unidos.

Um terceiro ponto a ser a bordado pela CPMI proposta por Ataídes é o papel das empresas de auditoria, que assinam balanços financeiros muitas vezes “maquiados” de grandes companhias, como aconteceu no caso da Petrobras, com a PricewaterhouseCoopers. "Essas empresas precisam ser devidamente responsabilizadas", disse Ataídes, lembrando que a Petrobras foi obrigada a pagar R$ 2,7 bilhões aos EUA para cobrir prejuízos causados pelo esquema de corrupção na companhia.

A CPMI proposta por Ataídes precisa da assinatura de  pelo menos 27 dos 81 senadores e 171 dos 513 deputados. O parlamentar acredita que a comissão estará instalada em no máximo duas semanas.

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