Aumenta violência contra a mulher e vítimas de homicídio no RS

Dados apresentados pelo secretário Cezar Schirmer apontam que o Rio Grande do Sul fechou o ano com baixa nos índices de criminalidade, comparado aos números de 2016; de 17 indicadores analisados pela Secretaria de Segurança Pública, 14 apresentaram redução e 3 tiveram aumento - roubo a veículos (+1,4%), lesão corporal contra mulheres (+1,3%) e estupro de mulheres (+5,5%)

15/01/2018 - PORTO ALEGRE, RS - Secretaria da Segurança Pública apresenta balanço dos dados estatísticos da criminalidade referente ao ano de 2017. Na foto: secretário Cezar Schirmer. Foto: Joana Berwanger/Sul21
15/01/2018 - PORTO ALEGRE, RS - Secretaria da Segurança Pública apresenta balanço dos dados estatísticos da criminalidade referente ao ano de 2017. Na foto: secretário Cezar Schirmer. Foto: Joana Berwanger/Sul21 (Foto: Leonardo Lucena)

Fernanda Canofre, Sul 21 - O Rio Grande do Sul fechou o ano com baixa nos índices de criminalidade, comparado aos números de 2016. De 17 indicadores analisados pela Secretaria de Segurança Pública, 14 apresentaram redução e 3 tiveram aumento.Os números foram apresentados em uma coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (15), pelo secretário Cezar Schirmer.

Entre os índices com queda mais expressiva estão o roubo a usuários de transporte coletivo (-34,6%), furto a banco (-28,4%), roubo a profissionais do transporte coletivo (-28%), abigeato (-25,5%) e roubo a comércio (-19,7%). Os três indicadores que tiveram aumento são: roubo a veículos (+1,4%), lesão corporal contra mulheres (+1,3%) e estupro de mulheres (+5,5%).

“Tomara que continue vermelho isso, porque é sinal de que as mulheres estão denunciando cada vez mais. O que nos preocupa, embora tenha crescido 1,4% apenas, é roubo de veículo”, avaliou Schirmer.  Segundo o secretário, esse será o foco do governo em 2018, assim como em 2017 a prioridade foi a redução de homicídios. A ampliação do chamado “cercamento eletrônico” das fronteiras e divisas do estado seria parte desta política.

Segundo os índices da Secretaria, o número de homicídios dolosos também teve uma redução de 1,5%, entre 2016 e 2017. O levantamento, no entanto, contabiliza como tal o número de casos que geram ocorrências, e não o número de vítimas. Ou seja, quando se olha especificamente para o número de pessoas assassinadas no Rio Grande do Sul no último ano, na realidade, houve um aumento de 0,3%, equivalente a nove mortes.

“Homicídios em Porto Alegre, temos reduzido a números que não aconteciam há oito anos. São informações muito positivas. Agora, não se muda uma realidade de décadas, do dia para a noite. Ninguém aqui está vendendo ilusões, dizendo que agora está bem. Os números absolutos ainda são altos e nós precisamos incrementar esse combate, vamos fazê-lo com a mesma energia e determinação que temos praticado desde que assumimos a secretaria”, afirmou o secretário.

Como fez no lançamento do Plano Estadual de Segurança, em novembro, Schirmer voltou a afirmar que 2017 marcaria um ano de mudança nas políticas públicas para o setor. Com o menor efetivo da história da Brigada Militar, no entanto, os concursos para repor cargos na corporação e na Polícia Civil parecem ainda sem ter data estimada.

“Esses concursos, certamente o governador [José Ivo] Sartori irá chamar no momento mais oportuno mais servidores. Isso irá nos permitir uma maior ostensividade da ação policial. Quando a população tem a percepção de segurança, o criminoso tem a percepção do medo.O que queremos é transferir o medo para o criminoso”, disse ele.

Presídios

Outro investimento da pasta neste ano deve ser a ampliação de vagas no sistema prisional. Schirmer citou o presídio que será construído junto à Cadeia Pública de Porto Alegre, antigo Presídio Central, como permuta com a Companhia Zaffari. A empresa irá construir o prédio, em troca da área da Fundação de Desenvolvimento para Recursos Humanos (Fdrh), extinta pelo governo Sartori.

O secretário disse que conta ainda com o concurso para agentes da Susepe, que “vai permitir ocupar Canoas”, a venda do ginásio da Brigada militar e dos Bombeiros e a reedição dos leilões de imóveis em Santa Maria e Bento Gonçalves – que dos R$ 51,6 milhões previstos, arrecadaram pouco mais de R$ 2 milhões.

“Com estes recursos, vamos poder construir novos presídios. Também com recursos federais, os presídios de Rio Grande, Alegrete e Caxias do Sul, todos eles estão em processo ou de licitação ou [aprovação]. Este ano, se tudo correr como estamos idealizando, vamos poder cumprir muitos presídios no estado”.

Na próxima sexta-feira, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim, vem ao RS para assinar a papelada que colocará em andamento as obras do presídio federal.

Índices de violência contra a mulher aumentam

Dos três indicadores com alta, dois são relacionados à violência contra a mulher. Na avaliação do secretário, no entanto, o aumento de registros de lesões corporais e estupros significa que as mulheres estão procurando mais os órgãos policiais para fazer denúncias.

Schirmer citou o dado de que em “alguns municípios” gaúchos, a maioria das ligações recebidas pelo 190 da Brigada é por casos de violência doméstica. O próprio secretário lembrou de pesquisas que apontam que, no Brasil, apenas 10% dos casos de estupro é registrado. Porém, questionado sobre o que o governo pretende fazer para conscientizar mulheres sobre a importância da denúncia, acabou sendo vago.

“Essa campanha já vem acontecendo, não é um problema só do Brasil. Agora mesmo, nos Estados Unidos, no mundo do cinema, no mundo das artes cênicas, houve manifestações de artistas que no passado sofreram algum tipo de violência física. Ou emocional, ou sexual. Então, essa denúncia estimula as mulheres a denunciarem, cada vez mais. Eu acho que este é o caminho. Tem que ser assim. Tem que denunciar o agressor”.

O secretário também não soube apontar qual a situação atual da Rede Lilás, um sistema integrado entre órgãos da segurança pública, que ajudaria no combate, registro e atendimento de mulheres vítimas de violência de gênero. As chamadas “patrulhas Maria da Penha”, viaturas da Brigada Militar que fazem visitas periódicas a casas de mulheres com medida protetiva, segundo ele, seguem em atividade.

“Continuam fazendo, agora com o aumento das viaturas vai ser mais. Infelizmente, a licitação que foi feita quarta ou quinta, mais uma vez, deu deserta. A segunda vez. Aquilo ali nos permitiria comprar 1.151 veículos”, garantiu. O secretário afirmou que uma parte dos carros seria destinada para a patrulha. Ele não soube estimar quantos ou em que proporção.

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