BH e o turismo de negócios: só na promessa...

Sem atrativos do turismo convencional, BH tem localização estratégica para sediar grandes eventos de negócios, inclusive internacionais. Mas o término antes da hora da Bienal do Livro mostra que isso está longe de virar realidade na cidade

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Minas 247 - Sem praia ou grandes atrativos turísticos convencionais, Belo Horizonte sempre foi pintada como uma cidade vocacionada para o turismo de negócios. Localizada em região estratégica, quase equidistante entre o sul e o norte-nordeste do país, a capital mineira seria o espaço ideal para sediar grandes eventos de empresas e governos.

Seria, pois não é. E não é, entre outros motivos, porque a cidade, por incrível que pareça, não tem locais suficientes para abrigar esses grandes eventos. A falta de segurança no teto do Expominas, centro de convenções localizado no bairro Gameleira, em BH, no último sábado, é talvez o opisódio mais emblemático dessa carência: graças à forte chuva que caíra no dia anterior, as placas que forravam o teto do pavilhão se desprenderam e podiam desabar. Resultado: a Bienal do Livro acabou dois dias antes do previsto, trazendo prejuízos para o público - teve gente que deixou para a última hora para visitar a feira e acabou não vendo nada - e sobretudo para expositores.

BH é referência, por exemplo, no ramo têxtil, de pedras preciosas e também na indústria automobilística, graças ao parque industrial surgido depois da instalação da fábrica da Fiat na vizinha Betim. Imagine um grande evento, até internacional, programado por algum desses setores na capital. E suponha também que ele termine antes do tempo previsto graças a problemas como os da Bienal do Livro? Quem pagaria os prejuízos dos exportadores? Mais importante: eles voltariam a participar de outra feira ou exposição na cidade? Ou, melhor: grandes organizadores de eventos não pensariam duas vezes antes de bater o martelo por BH na hora de escolher a sede de uma grande feira de negócios?

O problema vai ganhar dimensão maior quando os hotéis previstos para conclusão até a Copa de 2014 começarem a funcionar. Segundo a Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa-MG), são pelo menos 30 novos hotéis até lá, incoporando à capital mineira 11.882 leitos, aumentando a oferta da cidade para pouco mais de 30 mil leitos.

O investimento nesses hotéis é feito não apenas imaginando a Copa do Mundo, mas também a demanda surgida com o turismo de negócios. Mas sem novos centros de convenção, pode esquecer.

Hoje, apenas o Expominas é capaz de receber eventos de grande porte na cidade. Os outros centros de convenção de BH, como o Minascentro, na região central, precisam sempre passar por fortes adaptações, além de não comportarem grande público. Ou seja, o turismo de negócios da capital mineira está refém de um local que apresenta problemas.

Atualmente, tramita na Câmara Municipal um projeto de lei que prevê a construção do Centro de Convenções do Município de Belo Horizonte (CCBH) - se aprovado, é torcer que o nome seja mudado, com a ajuda de profissionais do marketing… O novo centro teria 30 mil metros quadrados e seria construído perto do Minas Shopping, na região noroeste de BH. Novamente, cabe ressaltar o “seria”. O projeto precisa ser aprovado, o prefeito precisa sancioná-lo e, aí, é torcer para sair a verba.

Enquanto isso, BH continua vocacionada para o turismo de negócios...

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